MIGREPI

25 Setembro, 2008

Busca de trabalho na Suíça exige conhecimento de idiomas, 07/09/08

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Swissinfo, 07/09/08 :

http://www.swissinfo.ch/por/capa/Busca_de_trabalho_na_Suica_exige_conhecimento_de_idiomas.html?siteSect=105&sid=9637768&cKey=1220856460000&ty=st

Busca de trabalho na Suíça exige conhecimento de idiomas

A taxa de desemprego na Suíça costuma ser baixa em relação a outros países europeus, chegando a 2,3% da população ativa, em junho deste ano, segundo a Secretaria de Estado de Economia, SECO.

Porém os interessados em buscar trabalho no país devem avaliar primeiro as possibilidades e restrições estabelecidas nas leis suíças antes de lançar-se na nova experiência, além de dispor de bons conhecimento de pelo menos algum dos idiomas nacionais.

Cidadãos provenientes da União Européia têm mais chances de conseguir uma oportunidade de trabalho na Suíça porque podem beneficiar-se do acesso facilitado ao mercado de trabalho do país, independente da qualificação, segundo o que está estabelecido no acordo de livre circulação entre a Suíça e países da União Européia, em vigor desde 2004.

Segundo o Departamento Federal de Migrações, BFM (sigla em alemão), estrangeiros nessa situação podem estabelecer-se na Suíça como trabalhadores assalariados ou independentes, como estudantes em uma instituição pública ou privada, inclusive para fins de formação profissional. Também é permitido que cidadãos de países da UE permaneçam na Suíça, caso tenham recursos suficientes para si e para dependentes, desde que contem com seguro contra doenças e acidentes, válido na Suíça.

Europeus podem ainda trabalhar até três meses na Suíça sem autorização, porém o cidadão deve se inscrever na autoridade cantonal correspondente, declarando a natureza do trabalho. Caso o período de atividade seja de mais de três meses é preciso obter uma autorização de estadia, junto à autoridade local de residência do trabalhador.

Profissionais que queiram trabalhar na Suíça de maneira independente ou estejam procurando emprego há mais de três meses, também necessitam autorização.

(Mais informações: http://www.bfm.admin.ch/bfm/fr/home/themen/schweiz_-_eu/aufenthalt_der_eu.html)

Último recurso

Para cidadãos não europeus, as restrições são maiores. Apenas profissionais qualificados, com diploma universitário e experiência, são admitidos, em contingentes limitados, ou em casos que justifiquem uma exceção. Por exemplo, quando se busca mão-de-obra especializada, não disponível na Suíça.

Segundo a ordem de prioridade, prevista na Lei dos Estrangeiros em vigor desde o início de 2008, o empregador que contrata um não europeu deve provar que: não encontrou nenhum profissional de nacionalidade suíça, nem estrangeiros em atuação na Suíça, e nenhum cidadão da comunidade européia.

Portanto, a melhor maneira vir para a Suíça para trabalhar é conseguir um contrato de trabalho antes de embarcar, o que permite ao profissional chegar ao país com um visto em mãos. Nesse caso, o empregador suíço deve entrar em contato com o consulado da Suíça na região onde vive o cidadão contratado antes da viagem.

Mais informações: http://www.eda.admin.ch/eda/pt/home/reps/sameri/vbra/cgsao/vissao.html#0026

Onde procurar

Normalmente as ofertas de empregos disponíveis são publicadas nos suplementos de jornais locais e diários oficiais como “Anzeiger” e “Journal Officiel” (grátis). Os grandes jornais regionais como “Tagesanzeiger”, “Le Temps”, “Basler Zeitung”, “Neue Zürcher Zeitung” também publicam suplementos especiais com anúncios de empregos.

Além disso, os sites especializados no assunto podem ajudar quem procura um emprego na Suíça. Alguns oferecem também dicas de como preparar currículos adequados. (ver lista).

Contatos pessoais, anúncios em supermercados oferecendo trabalho, busca em pontos de encontro de cada bairro (“treffs”) e até períodos de trabalho voluntário são estratégias possíveis para conseguir um emprego. Algumas vezes um trabalho temporário ou sem remuneração serve de trampolim para algo melhor, porém nem sempre é possível passar períodos sem remuneração, dependendo da situação pessoal.

Para estrangeiros, outra opção são as organizações internacionais, e a Suíça abriga várias delas. Nos sites de cada uma delas é possível obter informações de vagas disponíveis ou concursos.

Estratégia pessoal

O mexicano Ulises Macías chegou à Suíça sem profissão definida, em 2003. Depois de passar seis meses estudando alemão de forma intensiva conseguiu um emprego por intermédio de pessoas conhecidas.

“Meu primeiro trabalho foi cuidar de crianças em uma escola, no período em que ficavam realizando atividades depois das aulas”, conta ele que é casado com uma cidadã suíça. Logo em seguida ganhou a vida montando cenários para espetáculos até que decidiu entrar para a área da saúde e chegou a mandar currículos para dez hospitais. As respostas vieram de três deles, mostrando interesse.

“Comecei fazendo um estágio de assistente de enfermeiro” conta. “Agora trabalho na sala de cirurgia e faço um curso técnico de assistente para centros cirúrgicos, pago pelo hospital Sonnenhof, onde trabalho”, explica. Segundo Macías, a vantagem do setor hospitalar é que há interesse dos hospitais, sobretudo os privados, em investir na capacitação profissional dos contratados.

Quando os estudos são realizados na Suíça há mais possibilidade de conseguir um trabalho na área de estudo, ou ter os certificados reconhecidos facilmente.

Esta foi a estratégia da venezuelana Verónica Vargas, que já completou cinco anos em território helvético.

“Logo que cheguei estudei alemão e depois fiz o curso de biblioteconomia e documentação, em Chur (cantão de Grisões)”, conta. Depois de fazer estágios na área, conseguiu um emprego de tempo integral na “Bern Zentralbibliothek”.

Idiomas

O conhecimento de francês, alemão ou italiano, idiomas oficiais suíços, aumenta as possibilidades de conseguir um trabalho. Quanto mais longe o imigrante estiver no aprendizado do idioma, mais rápida pode ser a integração no mercado de trabalho e na cultura do país.

O cubano José Israel Larrea Luna, hoje dá aulas de espanhol no Migros, mas já havia terminado os estudos em línguas germânicas quando decidiu vir para Suíça. Além disso, mandou o currículo para a escola de idiomas, mas só depois de um ano foi chamado para dar aulas.

Enquanto isso trabalhou em uma livraria, em Berna. Ele conta que até agora nunca teve salários muito altos. “Eu sei viver com pouco dinheiro porque cresci em outra sociedade”, diz. “Talvez eu não tenha as mesmas necessidades de um suíço”, completa Larrea que vive com seu companheiro. Segundo ele, para um imigrante que chega só, a vida é difícil e as condições de trabalho são duras.

“Mesmo como professor, o trabalho é muito pouco constante, depende sempre do número de alunos”, explica.

Liberdade ou insegurança

O mercado de trabalho suíço é bastante flexível e permite que alguém assine contratos para trabalhar apenas meio período, ou três dias por semana, conforme seja o acordo entre as partes.

Ao mesmo tempo em que isso significa uma possibilidade para trabalhar um pouco menos e dedicar o resto do tempo a outras atividades, pode resultar também em um acordo de trabalho que não garanta a subsistência de uma família.

As leis da Suíça não prevêm valor de salário mínimo, limite de horas de trabalho ou décimo terceiro salário. A possibilidade de demitir ou contratar alguém é total, porém algumas categorias de trabalhadores são mais bem regulamentadas quando são negociados acordos coletivos de trabalho entre os sindicatos e os empregadores.

“As leis suíças relativas ao trabalho oferecem pouca proteção aos trabalhadores”, diz a portuguesa Margarida Pereira, secretária do sindicato Unia, na área de imigração.

Migrantes

Contratos de trabalho de grande flexibilidade geralmente reduzem os encargos para os empregadores, porém resultam também em desvantagens para os trabalhadores.

A insegurança gerada por este tipo de relação de trabalhista contribui, muitas vezes, para dificuldades de integração no local de trabalho, redução das oportunidades de promoção e instabilidades na vida pessoal e familiar do trabalhador.

Os migrantes são muitas vezes afetados por tais situações. Segundo Margarida Pereira os estrangeiros são os que mais sofrem com o mercado flexível, pois acabam se sujeitando às oportunidades que surgem como os trabalhos temporários e contratos por chamada, entre outros.

“Conheço casos de mulheres que aceitavam contratos para limpeza em hotéis eram pagas pelo número de quartos que limpavam”, diz. “Nas primeiras vezes limpavam muitos quartos e eram razoavelmente bem pagas, mas depois o volume de trabalho diminuía e elas já não podiam viver com o que ganhavam”, conta Margarida.

swissinfo, Heloísa Broggiato

Imigrantes contribuem para a prosperidade suíça, 13/09/08

Arquivado em: Suiça — migrepi @ 3:25 pm
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Swissinfo, 13/09/08 :

http://www.swissinfo.ch/por/capa/Imigrantes_contribuem_para_a_prosperidade_suica.html?siteSect=105&sid=9705117&cKey=1221231390000&ty=st

Imigrantes contribuem para a prosperidade suíça

A Suíça é um destino atrativo para os trabalhadores dos países da OCDE – Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, segundo um estudo sobre imigração.

A imigração na Suíça está acima da média da OCDE e foi qualificada de “boa nova” para o país.

A estatísticas comparativas apresentadas em Paris demonstram que, em 2006, um total de 86.300 migrantes chegaram à Suíça e obtiveram uma autorização de residência de mais de un ano.

Foi um crescimento de 10% comparado ao ano anterior, muito maior do que a média da OCDE (5%).

“Crescimento contínuo”

“É uma notícia muito boa. O crescimento sustentado da economia suíça não teria sido possível nos últimos anos sem a imigração, principalmente de profissionais capacitados da Europa e de ultramar”, afirma à swissinfo Kurt Rohner, vice-diretor da Secretaria Federal de Migrações.

“A maioria dos estrangeiros vem para a Suíça para trabalhar. Não viriam se houvessem empregos disponíveis. Se a economia decrescer, a afluência de novos residentes cessará”.

Especialista em migração da OCDE, Thomas Liebig concorda com Rohner. “Em muitos países da OCDE, a migração e a mobilização de recursos nacionais teve um papel importante para suprir a demanda do mercado de trabalho.

Se o crescimento da imigração na Suíça procedente dos países da OCDE está no mesmo nível desde 2001, ela compensa a fraca evolução estatística da mão-de-obra doméstica, sublinha o estudo.

A população ativa suíça cresceu 8%, mas sem a imigração o crescimento seria de 3%.

Migração temporal

A Suíça também está entre os líderes em migração sazonal. Em 2006, quase 117 mil pessoas vieram trabalhar na Suíça por tempo limitado. É seis vezes mais do que outros países da OCDE, em comparação com suas populações.

O estudo indicou também que 70% dos imigrantes chegaram à Suíça devido o acordo de livre circulação de pessoas entre a Suíça e a União Européia.

Na Áustria, Bélgica, Dinamarca e Alemanha, a proporção de imigrantes da EU foi de 50% e de apenas 20% na França, Itália e Portugal.

O relatório da OCDE destacou que os países-membros devem adaptar melhor suas políticas migratórias para a provável demanda futura de trabalhadores em todos os setores de suas economias, abrindo progressivamente seus mercados aos trabalhadores pouco ou muito qualificados.

“Estou otimista porque a política laboral suíça leva em conta essa noção. Tentamos tornar o mercado de trabalho razoavelmente flexível, atraindo especialmente trabalhadores qualificados da EU e especialistas de outros países”, afirmou Rohner.

“Não necessitamos de uma legislação adicional, por exemplo, para os trabalhadores sazonais. O mais importante, contudo, é que a Suíça mantenha sua atratividade como país de negócios e bom lugar para viver.”

Acrescentou que a nova lei federal dos estrangeiros, em vigor desde o início deste ano, enfatiza a integração dos estrangeiros que já residem na Suíça e dos futuros imigrantes. “A lei reconhece, portanto, que necessitamos de estrangeiros, especialmente para o bem-estar atual e futuro de nosso país e de nossa economia”, concluiu Rohner.

swissinfo, Robert Brookes

Los refugiados de Lampedusa, a las puertas de Suiza, 17/09/08

Arquivado em: Itália, Suiça — migrepi @ 3:21 pm
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Swissinfo, 17/09/08:

http://www.swissinfo.ch/spa/portada/Los_refugiados_de_Lampedusa_a_las_puertas_de_Suiza.html?siteSect=105&sid=9741415&cKey=1221725011000&ty=st

Los refugiados de Lampedusa, a las puertas de Suiza

El flujo constante de inmigrantes clandestinos en las costas italianas también tiene sus efectos en las fronteras helvéticas.

Los refugiados que desembarcan regularmente no se quedan todos en la Península e intentan alcanzar su oportunidad de acceder a otros países de la Unión Europea y a Suiza.

Los 15.000 refugiados llegados a las costas italianas desde el principio del año no permanecen todos en la Península. Cada vez son más numerosos los que llaman a las puertas de Suiza, como lugar de paso o para instalarse.

Un número creciente de éstos procede directamente de Lampedusa, una isla más cerca de Túnez que de Palermo, en Sicilia, sin tener que transitar por los centros de acogida para solicitantes de asilo en Italia. Prefieren apurar sus oportunidades antes que volver a sus países de origen.

Todos los medios de transporte

“Antes, se necesitaban varias semanas para que un refugiado que llegaba al sur de Italia pudiera hacerlo a Suiza. En la actualidad, menos de cuatro días antes de su llegada a Lampedusa, se les encuentra en Chiasso (cantón del Tesino)”, explicaba recientemente Davide Bassi, guardia fronterizo de ese cantón, en la prensa de expresión alemana.

La demostrada rapidez para la ayuda beneficia las nuevas llegadas. Los guardias fronterizos están convencidos de ello. Parientes y amigos ya instalados en el lugar ayudan a pasar la frontera y a superar la frontera verde, toman el tren, el autobús del correo o el barco en el Lago de Como para entrar a Suiza.

Cantones bajo presión

La Oficina Federal de Migración (OFM) confirma el fuerte aumento en las demandas de asilo. Su director, Eduard Gnesa, espera unas 13.000 peticiones hasta el final de 2008, unas 3.000 más que en 2007. Ahora, la Confederación quiere abrir tres estructuras de acogida de urgencia para aliviar a los cantones.

De estos últimos, es el Tesino el que se ve más afectado por la coyuntura. Por la frontera sur del país llega el 45% de solicitantes, la mayor parte clandestinos.

El cementerio del mar

Mientras tanto, en Lampedusa los naufragios son continuos. A menudo, se producen varios por día. En la noche del 14 de septiembre, 341 inmigrantes ilegales amontonados en una barca de veinte metros, con 67 mujeres y 26 niños a bordo, fueron interceptados al sur del archipiélago. La mayoría presentaban síntomas de hipotermia y deshidratación grave y debieron ser hospitalizados.

“Creía que estaba preparado para esta situación antes de mi llegada aquí hace unos meses. Pero lo que he visto ha superado todo lo que me podía imaginar”, comenta el joven capitán de guardacostas, Cristiano Aliperta.

“A veces, los encontramos agarrados a los botes neumáticos destrozados. Y quién sabe cuántos de ellos se ahogan sin que nadie se de cuenta”.

Centros de acogida abarrotados

Giovanna Albano, enfermera voluntaria de la Cruz de Malta, acompaña a la tripulación. “Recientemente hemos recuperado sesenta hombres y dos mujeres que iban con una chiquilla de siete años. Una de las mujeres tenía el rostro con moratones por agresiones. La pequeña había presenciado todo y se podía esperar que también hubieran abusado de ella”.

De hecho, la violencia étnica y religiosa entre los inmigrantes también causa problemas en el Centro Provisional de Acogida para Refugiados, localizado en el interior de la isla. Alejado de la vista de los turistas, tras una puerta y con gran vigilancia. El centro está gestionado por el Gobierno italiano y ONG, y lo financia la Unión Europea.

El lugar está diseñado para acoger a unas 800 personas, desde el comienzo de verano se han contado cerca de 2.000 refugiados.

Libia-Lampedusa

Los inmigrantes proceden de Etiopía, Somalia, el Magreb, Irak, Afganistán y también de Sri Lanka. Muchos de ellos huyen de los conflictos, de la hambruna o simplemente buscan una vida mejor. Como Bouchra que quiere tener una vida occidental. “Yo quiero trabajar y ser independiente”, comenta la joven de Marruecos, de 20 años de edad, que salió de su casa sin contarlo a su familia.

Como el 90% de los visitantes al centro, Bouchra se embarcó en Libia. “Una amiga me comentó como hacerlo. Fui en avión de Casablanca a Trípoli y allí encontré una plaza en un barco”, aunque no quiso entrar en el precio que pagó el pasaje.

Franco, un pescador comenta que “este mar es una verdadera autopista. En Libia hay gente que debe ganar fortunas con esta desgracia”.

“Europa es la felicidad”

Ahmed es un adolescente de 17 años llegado de Costa de Marfil con su hermano mayor. Para ellos “Europa es la felicidad”. Los dos huérfanos salieron de su país con otras 62 personas. “Dos de ellas murieron en el viaje… hay que ser fuertes para atravesar el desierto”, relata.

“Es como cada día desde el comienzo de la primavera”, explica un ‘carabiniere’ que sirve en el centro de acogida. El tráfico de autobuses es incesante, muchos de ellos trasladan a los inmigrantes a nuevos centros de asilo en la Península.

Completamente desbordadas por esta marea humana, las autoridades no repatrían más que a una minoría. Los otros desaparecen en el mar o siguen su camino a Europa y a Suiza.

swissinfo, Nicole della Pietra, Lampedusa y Chiasso

(Traducción: Iván Turmo)

21 Setembro, 2008

Os sonhos das babás brasileiras ilegais na Suíça, 16/08/08

Arquivado em: Brasil - Emigração, Suiça — migrepi @ 10:50 pm
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Swissinfo, 16/08/08:

http://www.swissinfo.ch/por/capa/Os_sonhos_das_babas_brasileiras_ilegais_na_Suica.html?siteSect=105&sid=9535384&cKey=1221415283000&ty=st

Os sonhos das babás brasileiras ilegais na Suíça

Muitas brasileiras viagem à Suíça como turistas e permanecem no país durante anos, em busca de um futuro melhor, trabalhando como babás ilegais.

Elas chegam com poucos recursos e muitos sonhos, entre eles, os de casar com um suíço ou voltar ao Brasil em condições de construir uma casa própria.

Tarde de quarta-feira no aeroporto de Zurique. Mais um avião da TAP vindo de Lisboa traz brasileiros oriundos de Salvador. Nesse vôo, vem Márcia*, baiana do interior, 30 anos, tentar a vida mais uma vez na Suíça, agora com promessa de casamento e salário fixo de 800 francos por mês.

Para Márcia, que foi enganada pela patroa na primeira vez em que veio trabalhar no país, a vida no exterior é um jogo, em que ela entrou para ganhar. Com pouca instrução escolar, dois filhos, e uma mãe doente do coração que não consegue vaga no hospital para fazer uma cirurgia cardíaca, Márcia diz que nessa competição, só existe uma possibilidade: vencer ou vencer. “Eu já perdi tudo quando nasci pobre no Brasil. Aqui eu posso tentar um futuro melhor”, teoriza.

Márcia é somente mais uma entre as milhares de brasileiras que vêm tentar a sorte como babá ou doméstica no país. Ignoradas pelo governo local, elas entram como turistas e permanecem por anos, até conseguirem um casamento ou a independência financeira, traduzida pela compra do tão sonhado imóvel para a família. Com esse propósito, deixam filhos e marido e vêm tentar a vida de forma tão solitária e aventureira.

Trabalho informal

A Suíça é um dos destinos mais comuns entre os brasileiros. Não se fala muito do país no Brasil. Mas o curioso é que mesmo na contramão das semelhanças, os dois países vivem um fenômeno de importação e recebimento de mão-de-obra, que tem atraído moças simples do interior para trabalhar na condição de babás ” informais”.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil estima que cerca de 50 mil brasileiros vivam hoje na Confederação Helvética. O número é baseado na quantidade de serviços consulares e não distingue a situação oficial dos moradores. De acordo com a Departamento Federal de Estatística (DFE) da Suíça, vivem no país 14.108 brasileiros registrados (dados de 2007).

A discrepância entre os números gerados pelos os dois governos comprova a ignorância da Polícia de Imigração Suíça quanto ao número de “brasileiros ilegais”. Para o Governo Brasileiro, a colaboração econômica é vista com bons olhos. De acordo com o Departmento de Comunidades Brasileiras no Exterior do Itamaraty, os brasileiros que vivem no exterior são responsáveis pela injeção de mais de 6 milhões de reais na economia brasileira por ano. Para a Suíça, a situação é diferente. O país quer reduzir o trabalho no mercado negro e tem feito campanhas elucidativas para isso.

Os dados mostram também que o número de brasileiros na Comunidade Helvética cresce a cada ano. Em seu livro Brasileiros na Suíça, lançado em 2006, a professora e socióloga brasileira Safira Amman analisa a situação. De acordo com os números pesquisados pela professora, há 18 anos residiam, legalmente, 1.254 brasileiros na Confederação Helvética. Em 2004, o número ja saltara para 12.100 residentes permanentes legais, o que correspondia um aumento de 850% em um período de menos de 20 anos.

Boca-a-boca

Não se sabe exatamente como começa o fenômeno, mas tudo indica que a propaganda boca-a-boca se encarrega de fazer mais e mais adeptas. Informadas sobre a possibilidade de fazer dinheiro em pouco tempo, elas tomam o risco de viajar mesmo sem ter o dinheiro para a compra da passagem, geralmente paga pelo “empregador” e descontada em prestações dos futuros salários.

Na maioria das vezes, a brasileira vem porque a amiga já veio anteriormente e conhece alguém – provavelmente uma outra brasileira – que precisa de uma babá.

“Eu só estou aqui porque minha irmã, que é casada com um suíço há mais de dez anos, me indicou a uma amiga”, conta Aline*, cuja irmã também veio no passado por recomendação.

A fórmula é confirmada pela análise do Departamento Federal de Imigração (BMF) – em trabalho denominado “Migração ilegal – por 60 mil francos é garantido o visto suíço”, de 30 de junho de 2004. O texto dedica cinco parágrafos ao tema, explicando que a migração legal ou ilegal não funciona sem uma rede de contatos.

Risco compensa

O esforço, no entanto, parece valer a pena. Em cidades mais populosas, como Zurique, Genebra e arredores, esse tipo de serviço é pago por hora (aproximadamente 25 francos), o que daria aproximadamente 37 reais para o trabalho de faxineira, quantia inimaginável no Brasil. Um franco duíço equivale a aproximanete 1,6 real.

Para quem se instala em casa de família para trabalhar geralmente de babá, as condições já são diferentes. Chega-se a ganhar até 1,5 mil francos por mês, sendo que muitas dessas moças são favorecidas financeiramente por não terem que pagar aluguel. Dependendo da patroa, elas ainda podem fazer bicos de faxineira e ganhar por hora para complementar o salário nos fins de semana.

No entanto, nem todas têm sorte. Há casos de patroas que regulam a comida, que pagam irrisórios soldos de 400 francos, como no caso da baiana Márcia. Quando veio há dois anos, teve várias promessas, mas quando se deu conta, se viu trabalhando quase como uma escrava. “Depois de descontar o preço da passagem aérea, não sobrava nada para ser enviado aos meus familiares no Brasil”, explica.

Casa própria

Em um ano de trabalho, Aline já economizou 9 mil francos, o equivalente a 14,4 mil reais. “Com mais um ano aqui, junto o dinheiro necessário para construir minha casa no interior da Bahia e sair do controle do meu marido, que tanto me maltratou e desrespeitou durante nosso casamento. Meu sonho é ter essa casinha e voltar a viver perto dos meus dois filhos”, conta Aline, com os olhos negros marejados de saudades.

Há dois na Suíça, a brasileira mora na casa da irmã e não precisa gastar com sua subsistência. A babá conta que, se fosse trabalhar em casa de família em Salvador, poderia ganhar, com muita sorte, um salário mínimo por mês, sem direito à folga semanal.

Maria* é uma brasileira que saiu do interior do Belém do Pará, deixando um filho de sete anos aos cuidados dos avós, entrou num avião pela primeira vez rumo a Zurique, também com o objetivo de juntar dinheiro para comprar uma casa.

“Foi muito triste deixar meu filho e vir fazer a vida aqui. Chorei muitas vezes sozinha no meu quarto”, desabafa, mas com a certeza de que tomou a decisão correta. Após morar dois anos de forma ilegal e viver até mesmo de favor em casas de amigos, foi para o Brasil buscar o filho e está de volta. Embora ainda não tenha visto de residente, Maria diz que está feliz com o novo rumo que sua vida está tomando: noivou-se com um suíço e deve se casar em breve.

Suíços gostam de brasileiras 

Além da caderneta de poupança e, conseqüentemente, a casa própria, o casamento é encarado como um presente a mais, e conforme mostram as estatísticas, com grandes probabilidades de se realizar. Parece que os homens suíços têm verdadeira predileção pelas brasileiras.

Segundo dados de 2005 do DFE, depois das alemãs, eles preferem as brasileiras, seguidas pelas tailandesas, italianas, sérvias e norte-africanas. Dos 8.358 casamentos com estrangeiras naquele ano, 654 aconteceram com brasileiras, que perderam somente para a Alemanha, com 766 uniões formais. “O bom é que depois de arrumar um marido suíço, podemos cobrar mais caro pela faxina. Ou melhor, ainda nos tornarmos patroa”, brinca Maria.

Se a situaçâo é lucrativa para quem vem tentar a vida, melhor ainda para as mulheres que já estão com a situação estabilizada na Suíça. Ao contratarem uma babá que durma durante a semana em suas casas e que ainda faça o serviço doméstico, as donas-de-casa brasileiras economizam muito dinheiro e ainda podem manter o padrão de comodidade que levavam no Brasil, algo impagável se fosse colocado na ponta do lápis todo o dinheiro referente a impostos e seguro social que deveriam pagar a essas profissionais.

Segundo Helena* (há cinco anos na Suíça), a contratação de uma brasileira para o serviço doméstico é um luxo acessível se tudo for feito na base da ilegalidade. Na sua opinião, não se trata de capricho, mas de uma garantia de contato das crianças com a cultura brasileira e atenção e carinho, enquanto a mãe trabalha.

“Uma babá suíça jamais se dedicaria aos meus filho como a Márcia”, afirma Helena.

swissinfo, Liliana Tinoco Baeckert

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