MIGREPI

23 Novembro, 2008

Com a tensa calma no Congo, hora de avaliar os estragos, 15/11/08

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Blog Controvérsia, 15/11/08:

http://blog.controversia.com.br/2008/11/15/com-a-tensa-calma-no-congo-hora-de-avaliar-os-estragos/

Com a tensa calma no Congo, hora de avaliar os estragos

Jeffrey Gettleman

Os cadáveres de soldados do governo estavam espalhados na lama.

Aldeões famintos estavam abrigados em casas caindo aos pedaços, sobrevivendo de cenouras cruas e mamões ainda verdes, duros.

Os soldados rebeldes vitoriosos, sem camisa e musculosos, se exercitavam em uma antiga base militar da ONU, levantando pesos improvisados feitos com equipamento saqueado.

Esta era a aparência do leste do Congo atrás das linhas rebeldes na sexta-feira. Enquanto milhares de pessoas deslocadas iniciavam a longa caminhada para casa, os rebeldes que expulsaram o exército nacional do Congo no início desta semana reforçavam seu controle sobre o território que tomaram.

O cessar-fogo pedido pelos rebeldes na noite de quarta-feira, enquanto estavam prestes a entrar na cidade estratégica de Goma, parece estar sendo mantido. Funcionários de ajuda humanitária o aproveitaram para retomar a distribuição de alimentos para centenas de milhares de pessoas deslocadas nas últimas semanas. Diplomatas pressionavam ambos os lados, o governo congolês e os rebeldes, a retornarem para a mesa de negociação.

Os civis que foram pegos pelo combate finalmente tiveram um momento para avaliar a destruição que os obrigou a fugir.

“Veja este lugar”, disse Wabo Gatambara-Kari, um chefe em Kibumba, esquadrinhando sua aldeia em pedaços, que foi bombardeada pelos rebeldes, vandalizada pelos soldados do governo em retirada e então invadida pelos combatentes rebeldes.

Até mesmo alguns campos de refugiados não parecem seguros. Funcionários da ONU estão investigando as alegações de que os rebeldes saquearam e incendiaram acampamentos a cerca de 90 quilômetros ao norte de Goma, em áreas controladas pelos rebeldes.

“Nós estamos extremamente preocupados com o destino de cerca de 50 mil pessoas deslocadas que vivem nesses campos”, disse Ron Redmond, porta-voz chefe da agência de refugiados da ONU, segundo seu site na Internet.

Por mais de uma década, o Congo suportou rodada após rodada de rebelião. Mas nesta semana o país viu alguns dos combates mais ferozes nos últimos anos, com um grupo rebelde liderado por Laurent Nkunda, um enigmático general renegado, quase capturando Goma, uma cidade antes considerada segura.

Uma jornada pela estrada de 32 quilômetros de Goma a Kibumba, uma aldeia de cerca de 15 mil habitantes, conta parte da história.

Ela começa no centro de Goma, onde as lojas abriram na sexta-feira pela primeira vez em dias, enquanto que mulheres que temiam ser estupradas voltavam ao mercado e a vida lentamente retomava a normalidade.

Mas nos arredores da cidade, milhares de pessoas estavam tomando a estrada em colunas intermináveis, retornando para as aldeias onde os combates ocorreram há poucos dias. No processo, as pessoas deixavam os grandes campos de refugiados improvisados onde estavam reunidas.

“Quem sabe se a paz durará?” disse Kabando Rusisi, um agricultor marchando em sandálias de dedo amarelas. “Mas estamos com fome.”

Sem comida. Sem abrigo. Sob chuva. Bebês doentes. Rusisi descreveu a triste escolha: retornar para sua aldeia, agora sob controle rebelde, ou definhar na grama aguardando por uma ajuda que não parece que virá. “Nós estamos melhores por conta própria”, ele disse.

O êxodo dos dias anteriores, de pessoas partindo de suas aldeias pela suposta segurança de Goma, agora se inverte. Na estrada para Kibumba, meninos empurravam bicicletas empilhadas com 2,5 metros de roupas e cobertores. Velhas caminhavam ao lado deles, ocasionalmente se sentando à beira da estrada para recuperar o fôlego e descansar seus pés inchados.

Aproximadamente 16 quilômetros além da cidade, no campo de refugiados de Kibati, funcionários de ajuda humanitária distribuíam biscoitos energéticos para crianças desnutridas com barrigas pronunciadas, a primeira distribuição do gênero em vários dias. É perigoso demais se aventurar no interior. “É uma verdadeira emergência”, disse Jaya Murthy, um funcionário do Unicef, enquanto permanecia em meio a uma roda de crianças que se penduravam nos seus bolsos, pedindo “biscoito, biscoito”.

Mais alguns poucos quilômetros e não havia sinais do exército congolês. Os soldados adolescentes do governo com boinas curvadas e tênis de cano alto, aqueles que eram acusados de saquear hospitais, atirar contra funcionários da ONU, estuprar mulheres e matar crianças enquanto fugiam de Goma na noite de quarta-feira, desapareceram.

Uma terra de ninguém vazia e bucólica se estendia por vários quilômetros. O cenário nesta parte da África é como um sonho. Vulcões verde-esmeralda, com seus topos cônicos enterrados nas nuvens. Campos cobertos de milho, feijão, batata e banana que sobem pelas encostas. Ribeirões lamacentos da cor de leite achocolatado.

A certa altura, uma turba de mototaxistas enfurecidos bloqueava a estrada e cercava um carro cheio de jornalistas. Eles pareciam agressivos. E agitados. Alguns empunhavam porretes. Eles estavam livres para fazer o que quisessem. Não há lei nem ordem em muitas partes do Congo, especialmente em zonas de conflito onde o governo praticamente desapareceu.

No final, tudo o que os mototaxistas queriam era um pouco de solidariedade. Eles disseram que os rebeldes os impediam de voltar para Goma e deixaram os jornalistas passarem após expressarem seu ultraje.

Perto dali se encontravam corpos. Um soldado do governo estava de costas, com o crânio despedaçado por uma bala, suas botas gastas afundadas na lama. Outro soldado foi baleado no peito, aparentemente através de uma pequena Bíblia que carregava no bolso, que apresentava um buraco de bala.

A estrada estava repleta de projéteis de tanque, cartuchos usados de rifles, caixas de munição de madeira quebradas, pacotes de ração, uniformes molhados descartados e outros resíduos do exército congolês em fuga encharcados pela chuva.

Perto de Kibumba, os rebeldes finalmente apareceram. Um, dois e depois grupos de cinco ou seis. Eles se portavam de forma diferente das tropas do governo, mais eretos, mais sérios. Usavam camuflagem apropriada e botas longas de borracha pretas. Empunhavam rifles de assalto Kalashnikov bem cuidados. Eles escutavam seus rádios e limpavam suas armas nas mesmas bases militares que há cinco dias eram ocupadas pelos soldados do governo e pela força de paz da ONU.

Eles disseram que o trabalho deles era dar boas-vindas aos refugiados. “Os únicos locais seguros neste país estão sob nosso controle”, disse um porta-voz rebelde, Babu Amani.

Kibumba é claramente deles. Os soldados rebeldes estavam trabalhando com os anciões da aldeia para avaliar os estragos causados pela partida das forças do governo, que moradores disseram ter saqueado dezenas de casas e roubado o banco local, arrombando o cofre e levando as economias dos aldeões. Mas as tropas de Nkunda podem ter cometido abusos semelhantes. “Essas pessoas também são ruins”, sussurrou um homem em Kibumba.

Mas ele não quis elaborar.

Em vez disso, fugiu, seguindo na direção de uma plantação de feijão. Esta é a estação de plantio, e muitas pessoas disseram que se não puderem voltar ao trabalho, logo não haverá nada para comer.

The New York Times

4 Novembro, 2008

RDCongo: Provavelmente “um massacre nunca antes visto em África” – MNE francês, 31/10/08

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Visão, 31/10/08:

http://aeiou.visao.pt/Pages/Lusa.aspx?News=200810318958700

RDCongo: Provavelmente “um massacre nunca antes visto em África” – MNE francês

Paris, 31 Out (Lusa) – Um massacre “provavelmente nunca antes visto em África” disse hoje o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, ao descrever a ofensiva rebelde no Leste da República Democrática do Congo.

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros viajou hoje para as cidades de Kinshasa e Goma, na companhia do seu homólogo britânico David Miliband e do secretário de Estado francês para a Cooperação, Alain Joyandet, para tentar restabelecer um diálogo para a paz.

“É um massacre provavelmente nunca antes visto em África aquilo que está a desenrolar-se à frente dos nossos olhos, com mais um milhão de refugiados, com ataques muitos específicos, mutilações sexuais que fazem parte dos actos de guerra elementares nesta região”, disse Kouchner.

“Vamos tentar em Kinshasa, Goma e Kigali (Ruanda) retomar os contactos, que nunca foram completamente quebrados e, em outros locais, tentar dar um primeiro passo para o apaziguamento, seguindo depois para as conversações de paz”, explicou o ministro francês.

O reacendimento dos combates em Agosto entre as tropas rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) e as forças governamentais, numa violação do cessar-fogo acordado em Janeiro, já provocou mais de 50 mil deslocados e cerca de nove mil refugiados, dos quais 2.500 atravessaram a fronteira nos últimos três dias, segundo os dados do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, hoje divulgados.

Goma, a capital da província de Norte-Kivu, tem sido o principal cenário dos confrontos.

SCA.

Lusa/Fim

Um massacre “provavelmente nunca antes visto em África” – ministro francês dos Negócios Estrangeiros sobre a ofensiva rebelde na República Democrática do Congo.

Violência no Congo deixa um milhão de refugiados, 01/11/08

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O Estado de São Paulo, 01/11/08:

http://www.estadao.com.br/internacional/not_int270746,0.htm

Violência no Congo deixa um milhão de refugiados

AE - Agencia Estado

KINSHASA - Cerca de 1 milhão de pessoas tiveram de deixar suas casas na República Democrática do Congo nas últimas semanas, por causa da violência entre rebeldes da etnia tutsi e tropas do governo, informou ontem a agência para refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU). A ONU também anunciou que investiga acusações de que campos de refugiados foram saqueados e incendiados.

Os refugiados são procedentes dos arredores da cidade de Goma, Estado de Kivu do Norte, e estão morando em campos próximos da fronteira com Ruanda, onde não há água e comida para todos.

A União Européia (UE) disse que pretende enviar ajuda humanitária para os civis e estuda a possibilidade de mandar mais tropas de paz para o país. A UE também pediu a convocação de um encontro emergencial para tentar resolver o conflito. Funcionários de agências internacionais descreveram a situação em Kivu do Norte como catastrófica.

20 Outubro, 2008

UNHCR helps Congolese refugees return home across Lake Tanganyika, 05/09/08

Arquivado em: República Democrática do Congo — migrepi @ 6:09 pm
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UNHCR, 05/09/08:

http://www.unhcr.org/news/NEWS/48c14ecd6.html

UNHCR helps Congolese refugees return home across Lake Tanganyika

KIGOMA, Tanzania, September 5 (UNHCR) – Growing numbers of Congolese refugees like Kashindi Iddi are opting to head home from Tanzania as the situation eases in their home province of South Kivu across Lake Tanganyika. 

“In 1998, I fled my home town of Matongo because of the war in South Kivu. Today, I’m returning with my wife and three children,” Iddi, holding his two-year-old son by the hand, said as he waited to board a UNHCR-charted ferry at the port of Kigoma.

He and his family will face many tough challenges as they adjust to their new life in the eastern Democratic Republic of the Congo after 10 years in a Tanzanian refugee camp. The region’s infrastructure and services are in a poor state after years of war, which only formally ended in 2003. Security remains a problem.

Iddi’s children have known no other home than Tanzania. They were all born in Lugufu Refugee Camp, one of two remaining camps hosting Congolese refugees in north-west Tanzania’s border region of Kigoma.

At this time of the year, the camp schools are closed and the refugees have finished harvesting their crops on the small camp plots. At the same time, more and more refugees have been showing up in recent weeks to register for voluntary repatriation to the DRC.

UNHCR currently organizes two sailings a week from Kigoma to the DRC port of Baraka on the MV Mwongozo, which takes refugees and their belongings. Upon arrival, the returnees receive an assistance package put together by UNHCR and its partners, including the World Food Programme. The aid includes household items, a mosquito net, agricultural tools, food for three months and a shelter kit.

“The UN refugee agency in the DRC further supports the returnees’ reintegration through the renovation of infrastructure – including schools and health clinics – the promotion of income-generating activities and support to solve land issues,” explained Marie-Christine Bocoum, deputy director of UNHCR’s Africa Bureau, during a recent visit to Kigoma to wave off refugees.

Most of the Congolese refugees in Tanzanian camps come from the towns of Fizi and Uvira or surrounding areas. These areas are considered fairly stable today, but life for the returnees will still be more of a challenge than in the camps.

Despite the problems and the strain put on the meagre resources and services that do exist, local officials warmly welcome the return of their compatriots. South Kivu Governor Chirimwami Muderhwa, during a recent visit to the Tanzanian camps, said the reintegration of returnees was crucial to consolidate the fragile peace in his border province.

“We government authorities welcome you back and will support your reintegration,” he said adding: “We have improved access to health care: more clinics and health personnel are available than was the case before the war. Extra schools are being built with the help of UNHCR and primary education is free of charge.”

Iddi was well aware of the obstacles ahead, but believed that he had made the right decision. “I want my children to grow up in the DRC. I know it won’t be easy to rebuild my life, but I’m not afraid to return,” he said before boarding the Mwongozo.

“I thank Tanzania and UNHCR for all they have done for me. Back in South Kivu, I hope to make a living as a carpenter, using the skills I was taught in Lugufu camp.”

UNHCR began facilitating the repatriation of Congolese refugees from Tanzanian camps in October 2005. To date, the refugee agency has helped more than 53,000 Congolese return home, while slightly less than 90,000 remain in the two camps in the Kigoma region.

By Eveline Wolfcarious
in Kigoma, Tanzania

Democratic Republic of Congo: Fragile peace deal in the east endangered by heavy fighting

Arquivado em: República Democrática do Congo — migrepi @ 5:57 pm
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Dispatches, 29/08/08:

(Jesuit Refugee Service)

DEMOCRATIC REPUBLIC OF CONGO: FRAGILE PEACE DEAL IN THE EAST ENDANGERED BY HEAVY FIGHTING

In the early hours of 28 August, intense clashes lasting for several hours erupted between government forces and rebels loyal to renegade General Laurent Nkunda in the Rutshuru region (approximately 50 km from Goma, the capital of the North Kivu province). The UN Peacekeeping mission MONUC has dispatched patrols and negotiated with the two sides, restoring calm to the area — but the situation remains tense. The recent confrontation is reported to be one of the heaviest since the signing of a peace deal struck at the beginning of this year between 22 warring parties, among them Nkunda’s CNDP.

According to local sources, a significant number of government forces have been deployed to secure the main roads and agglomerations in the area since Thursday evening. Reportedly, the rebels had been pushed back in the mountainous region near the Ugandan and Rwandan borders. Light shooting could be heard there until late in the evening, but Friday morning the situation remained calm.

The causes of the fighting which forced many civilians to flee their homes remain unclear and both sides accuse each other of having opened the hostilities. According to MONUC and the French press agency AFP, 18 rebels and 50 government soldiers have been seriously wounded. The numbers of casualties, civilian victims and displaced people is currently being assessed and could not be confirmed.

In the last months, reports of continued recruitment and arms movements in the area had increased and MONUC Lieutenant Colonel Jean-Paul Dietrich acknowledged that there was “too much tension in the air” in recent days and something was bound to happen. In its weekly press conference on 20 August, MONUC had also condemned a worrying rise in the recruitment of children by armed groups, including the CNDP.

The clashes are likely to deteriorate the humanitarian crisis in the region. There are more than 857,000 people displaced in the province of North Kivu and the UN World Food Programme is already struggling to meet the increased food needs of the displaced. Human rights agencies have reported that despite the peace deal in January, armed groups continued to loot and kill civilians, and rape hundreds of girls and women. More than 100,000 people are reported to have fled since the signing of the agreement which was meant to end the suffering of the civilian population.

JRS Grands Lacs has recently opened several programmes in Goma and Rutshuru to serve and support the education of displaced children in the most vulnerable circumstances.

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