MIGREPI

16 Setembro, 2008

Campos de refugiados segregados, 25/06/08

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Pé na África, 25/06/08:

http://penaafrica.folha.blog.uol.com.br/#2008_06-25_04_22_43-129032461-0

Campos de refugiados segregados

NAKURU (QUÊNIA) – Já faz seis meses que uma eleição presidencial fraudada no Quênia expôs ao mundo mais uma vez o horror dos conflitos étnicos.

Desde então, os caciques dos principais grupos tribais (kikuyu, luo e kalenjin) que formam a sociedade queniana se acertaram, repartiram o bolo do Estado, criaram uma penca de ministérios para acomodar seus apaniguados e estão aproveitando a vida, num governo de união nacional.

Mas basta passar algumas horas em um lugar como Nakuru, a 200 km da capital, Nairobi, para ver como esses acertos entre bacanas ignoram o que acontece na vida real. Nakuru, porta de entrada para um parque nacional famoso por seus milhares de flamingos cor-de-rosa, é uma cidade encravada no Rift Valley, oeste queniano, palco dos principais distúrbios étnicos em janeiro e fevereiro.

Ainda hoje, depois do Holocausto e do genocídio de Ruanda, o rótulo tribal ainda é o fator determinante por aqui. Pior é constatar que mesmo entre os que mais sofreram com a violência este sentimento prevalece.

Nakuru tem dois campos de refugiados, abrigando pessoas que perderam tudo na onda de violência. Ficam nos dois extremos da cidade. Numa ponta, num estádio de futebol, estão alojadas 1.400 pessoas pertencentes às etnias luo e kalenjin, que se uniram taticamente durante os conflitos.

A cerca de 4 km de distância, do outro lado da linha de trem que corta a cidade, um gigantesco campo abriga 12.000 pertencentes ao grupo dos kikuyu, num estacionamento público.

“Se misturássemos os dois campos, seria o inferno”, me explica Ewan, de 22 anos, um voluntário da Cruz Vermelha queniana.

Ontem à tarde, primeiro fui visitar o estádio de futebol que serve de casa para os luo e os kalenjin. Fui extremamente bem-recebido, por pessoas ávidas por desabafar. Ali, duas ou três famílias dividem tendas de não mais de 10 metros quadrados, em formato de iglu e feitas de lona. O chão é de terra, e não há colchões para todos dormirem.

A grama já está semi-destruída, as arquibancadas de madeira apodrecem, e as traves viraram varais improvisados. Era por volta de 14h, e os iglus de lona eram fornos. De noite, no inverno queniano, a temperatura cai abruptamente, e, se chove, a umidade entra. Problemas respiratórios são o maior problema na pequena clínica improvisada no local, mantida pela Cruz Vermelha. Nos últimos meses, duas crianças e quatro adultos morreram.

Este campo pertence aos apoiadores de Raila Odinga, o candidato luo que disputou e perdeu a eleição presidencial, provavelmente por fraude. Foi o anúncio da sua derrota que originou os protestos. Hoje, Odinga é o primeiro-ministro no governo de união nacional.

Seus apoiadores foram perseguidos por kikuyu, e os perseguiram de volta. No Quênia, não houve um grupo matando o outro, como sérvios contra bósnios na antiga Iugoslávia ou hutus contra tutsi em Ruanda. Foi um todos contra todos, que deixou 1.200 mortos e 400 mil refugiados.

(A propósito, eu, por mais que tente, não consigo diferenciar fisicamente as etnias, mas os quenianos juram que é possível _e também pelo sobrenome. Os luo têm nomes começados com “O”, como Odinga e Obama, pai do candidato presidencial norte-americano).

O governo começou a ameaçar fechar à força os campos nas próximas semanas, dizendo que a situação do país está melhor, mas os refugiados não querem. “Vamos resistir”, diz Robert, um pastor evangélico. Os refugiados dizem que querem indenização para recomeçar a vida, além de temerem voltar ao convívio com as outras etnias. Querem viver em áreas segregadas.

Antes dos conflitos, as etnias se misturavam, mas hoje há uma desconfiança mútua. Simon, de 22 anos, conta que tinha vários amigos kikuyu antes da violência. “Não falo mais com eles”, disse ele, que teve a casa saqueada e os pertences todos roubados.

Do lado oposto da cidade, no outro campo de refugiados, as mesmas histórias vêm com sinal invertido. Ali estão apoiadores do presidente Mwai Kibaki, um kikuyu, reeleito na votação suspeita.

“Nós somos perseguidos pelos kalenjin a cada eleição. Nesta última, nos disseram que seria a perseguição final”, diz um senhor com dentes amarelados.

No meio do campo, uma escola improvisada, calorenta e mal-cheirosa, atende às crianças do local. Mas ontem, só vi uma garotada brincando nos bancos de madeira semi-destruídos.

Os problemas são os mesmos enfrentados no campo que abriga as etnias rivais. A base da alimentação é milho, feijão e um composto chamado CSB, distribuído pelo Programa Alimentar Mundial da ONU, que reúne seis cereais. É um pó amarelado rico em nutrientes que as famílias recebem a cada duas semanas. Misturado com água fervente, vira um mingau.

Mas não há frutas ou vegetais na dieta. Pergunto se as pessoas comem carne ou frango e um homem ri. “É o nosso sonho”, diz.

Mesmo assim, muitas famílias preferem ficar. Bem ou mal, ali têm comida, água, assistência médica e abrigo de graça.

“60% das pessoas aqui causariam problemas se o governo fechasse o campo”, diz Abdi, responsável da Cruz Vermelha (e que diz ser torcedor fanático do Santos). “As pessoas estão assustadas e temem por suas vidas”, diz.

Mas o governo promete fechar os campos de refugiados em breve. Vem mais violência por aí.

Escrito por Fábio Zanini

26 Agosto, 2008

Caos no Quênia deixa 100 mil desabrigados e 342 mortos, 03/01/08

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UOL Notícias, 03/01/08:

http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2008/01/03/ult34u196442.jhtm

Caos no Quênia deixa 100 mil desabrigados e 342 mortos

de Nairóbi

Um total de 100 mil pessoas estão desabrigadas em virtude da violência que afeta o Quênia desde as polêmicas eleições gerais de 27 de dezembro, segundo um novo balanço da Cruz Vermelha queniana, que fez um pedido de doações.

“Segundo nossas primeiras estimativas, precisamos de 500 milhões de shillings (US$ 7,5 milhões) para ajudar pelo menos 100 mil pessoas no país”, declarou um dos principais diretores da Cruz Vermelha queniana, Abdi Ahmed.

Dos desabrigados, 70 mil se encontram no oeste do Quênia, cenário dos piores atos de violência registrados nos últimos dias, e outros 30 mil na região de Nairóbi.

O Exército queniano participará no transporte de material de emergência às regiões mais afetadas.

“Esta ajuda será essencial porque os postos de controle criados nas estradas podem impedir a chegada da ajuda humanitária por via terrestre”, explicou Ahmed.

Pelo menos 342 pessoas morreram na onda de violência política e étnica que explodiu no Quênia após o anúncio da vitória nas eleições de 27 de dezembro do presidente Mwai Kibaki. O resultado foi contestado pela oposição.

Kenia y el peligroso juego del odio étnico, 02/01/08

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Blog Viaje a la Guerra, 02/01/07:

http://blogs.20minutos.es/enguerra/post/2008/01/02/kenia-y-peligroso-juego-del-odio-aotnico

Kenia y el peligroso juego del odio étnico

Hernán Zin

Kibera, el barrio de chabolas más grande del mundo, que en tantas ocasiones hemos visitado en este blog, ha sido uno de los principales escenarios de los enfrentamientos tribales que están sacudiendo a Kenia desde las cuestionadas elecciones del pasado fin de semana y que ya han dejado decenas de muertos por todo el país.

El lunes, centenares de soldados armados con ametralladoras, y protegidos por helicópteros, entraron por la parte alta de Kibera. Los esperaban grupos de jóvenes con barras de metal y palos de madera que, según el periódico The Independent, cantaban: “No nos rendiremos sin Agwambo”, palabra en idioma kiswahili que quiere decir “guerrero”, y que la usan para referirse a Raila Odinga, el candidato presidencial al que supuestamente le robaron las elecciones.

Pero el conflicto va más allá de las irregularidades en las votaciones denunciadas por los observadores de la Unión Europea. El actual presidente, Mwai Kibaki, que habría ganado la posibilidad de un nuevo mandato, pertenece a la tribu de los kikuyus. Y Raila Odinga, su adversario, que en teoría perdió por un estrecho margen, y al que muchos kenianos consideran “el presidente del pueblo”, forma parte de la tribu de los luo.

Un conflicto tribal

Las diferencias físicas entre ambos grupos, los kikuyus y los luo, resultan casi imposibles de distinguir para un extranjero. Eso sí, en pocas conversaciones que he mantenido con personas de estas etnias, las diferencias culturales y de idiosincracia no han tardado en salir a flote resaltadas por ellas mismas.

Los kikuyus, grupo mayoritario en Kenia, que alcanza el 20% de la población, han detentado las más grandes parcelas de poder político y económico desde la independencia en 1963. Jomo Kenyatta, el padre de la lucha contra la dominación británica, y primer presidente del país, supo sacar rédito a las diferencias étnicas y sistemáticamente benefició a los kikuyus en detrimento de otros grupos. Una práctica nada extraña en África, donde el nepotismo tribal está a la orden del día.

Una práctica que continuaron los dos presidentes que lo sucedieron, el corrupto hasta la médula Daniel arap Moi, que pertenecía a la tribu kalenjín, y el actual supuesto ganador, otro kikuyu: Mwai Kibaki.

Esta preeminencia de los kikuyus ha hecho que los luo, el segundo grupo en importancia numérica del país, se sintieran siempre marginados. La capital de su territorio, Kisumu – donde han muerto decenas de personas en las últimas horas -, ha sido relegada una y otra vez a la hora de recibir inversiones. Aunque es la tercera ciudad en tamaño del país, tuvo que cerrar el aeropuerto por falta de dinero para reparar la pista de aterrizaje.

Las posibilidades de ganar las últimas elecciones les hicieron soñar a los luo en un cambio en las relaciones de poder, en un avance en la justicia social. Por eso muchos de los jóvenes que marchaban armados por Kibera gritaban: “¡Suficiente para los kikuyus!”.

El peligro de una guerra civil

A diferencia de sus vecinos en la región, Kenia no ha sufrido grandes enfrentamientos civiles, algo que sí ha sucedido en Uganda, Somalia y Sudán, y que ha causado millones de muertos. Exceptuando las luchas tribales por los recursos naturales en la zona de Monte Elgón, que han tenido lugar a lo largo de los últimos años, los 42 grupos tribales del país han sabido vivir en relativa calma.

Las decenas de víctimas mortales que se están acumulando podrían llevar al país a una escalada de violencia tribal de difícil retorno si la situación no se calma en los próximos días. Los 40 muertos ayer en una iglesia de Eldoret, que fallecieron quemados vivos, recuerda demasiado al genocidio de Ruanda.

Todo dependerá de la capacidad de negociación, y de anteponer el bienestar general a sus propios intereses partidistas y tribales, de los dos principales líderes: Raila Odinga y Mwai Kibaki. Como aspecto positivo cabe destacar que la sociedad keniana no está plagada de armas como sucede en Sudán y en Somalia.

Un enfoque que los políticos kenianos deberán tener en cuenta es que la mayor parte de la violencia ha estallado en barrios marginales como Kibera o Mathate.

Por lo que la gente, más allá de las tribus, de lo que está harta es de vivir en la miseria, casi sin oportunidades, olvidada, entre la mierda, y lo que desea profundamente es que se terminen los privilegios y la corrupción que impiden la distribución de la riqueza y el funcionamiento eficiente de los servicios públicos.

O espectro de Ruanda ronda os quenianos

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O espectro de Ruanda ronda os quenianos

ANA FLOR
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NAIRÓBI

Autoridades e analistas temem que a onda de violência que tomou conta do Quênia desde a divulgação do resultado oficial das eleições presidenciais se torne um novo caso de limpeza étnica como os que marcaram os piores episódios da história da África.

Na violência política que explodiu no país desde o último domingo -quando o atual presidente, Mwai Kibaki, 76, foi anunciado vencedor das eleições presidenciais-, as maiores vítimas têm sido quenianos do grupo étnico kikuyu, o maior do país e do qual Kibaki faz parte. Lojas e casas dos kikuyus, assim como igrejas da região central do país -reduto kikuyu- têm sido atacados.

Segundo o analista político Joseph Otieno, imagens como a da igreja queimada ontem em Eldoret lembram episódios ocorridos durante o genocídio em Ruanda, na década de 90. “Os próximos dois dias serão muito importantes para determinar se haverá uma escalada na violência ou se a situação tomará um rumo mais pacífico”, diz ele, enfatizando que tanto o governo quanto a oposição precisarão agir para conter novos ataques.

Toque de recolher

A revolta de parte da população tem como base acusações de fraude nas eleições que deram uma vitória apertada a Kibaki. As imagens da posse de Kibaki em meio às acusacões de fraudes revoltaram os eleitores do rival, Raila Odinga.
Em áreas de Nairóbi como Kibera, a maior favela da África e reduto eleitoral de Odinga, um toque de recolher foi informalmente estabelecido. A proibição de transmissões ao vivo de televisão e notícias de que a polícia estava autorizada a atirar em quem estivesse nas ruas na véspera de Ano Novo aumentaram o clima de tensão.

O ambiente de incerteza lotou supermercados em todo o país. Até nas áreas mais nobres de Nairóbi faltavam itens perecíveis nas prateleiras. Comerciantes foram obrigados a fechar mais cedo por problemas de abastecimento, prejudicado pelo bloqueio de estradas que são rota de escoamento.

A ONU, que tem em Nairóbi uma de suas quatro sedes mundiais, desaconselhou viagens pelo país e recomendou a seus funcionários não sair de casa. Ontem, a organização divulgou que de hoje “até uma futura notificação” apenas funcionários essenciais deveriam se deslocar à sede da organização. A violência também afetou o turismo, uma das maiores fontes de renda do Quênia.

Maquinação política

Para o historiador e professor de Relações Internacionais queniano Macharia Munene, a revolta contra os kikuyu não é intrínseca aos demais grupos étnicos do Quênia. “Existe um elemento de conflito étnico, mas o que estamos vendo agora foi maquinado por um grupo político”, diz.

Munene acredita que setores políticos da oposição se prepararam para o caso de uma derrota na qual a credibilidade do processo eleitoral fosse duvidosa. “Claro que houve problemas no processo de apuração, mas há procedimentos para questionar o resultado de uma eleição sem recorrer à violência.”

A oposição já denunciara como uma manobra do governo a decisão de marcar as eleições para o dia 27 de dezembro, quando muitos quenianos deixam os centros urbanos para visitar as famílias no interior.

Segundo Munene, desde a época em que o país era colônia britânica existe uma tentativa de jogar o restante da população contra os kikuyu. “O governo colonial tentou, deliberadamente, massacrar os kikuyus, por serem contra o domínio inglês”, diz. “Mas se eles fossem realmente odiados pelos outros grupos étnicos, nem Kibaki nem Jomo Kenyatta (o primeiro presidente do Quênia) teriam sido eleitos.”

O Quênia se tornou independente do Reino Unido em 1963, com Kenyatta como premiê. No ano seguinte, Kenyatta, um kikuyo, foi eleito presidente e um luo, Oginga Odinga, pai de Raila, vice-presidente. Dois anos depois, Oginga Odinga deixou o governo, tornando-se líder da oposição.

Como acontecera com seu pai no passado, Raila apoiou Kibaki em 2002. A coalizão entre os dois acabou com os 24 anos do governo do ex-presidente Daniel Arap Moi. O apoio não duraria muito. Descontente com a divisão de poder, Raila passou a líder da oposição. Nesta eleição, o partido que Raila lidera, o Movimento Democrático Laranja, pode não ter ganho a Presidência, mas garantiu a maioria no Parlamento.

50 são carbonizados em igreja do Quênia, 02/01/08

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Folha de São Paulo, 02/01/08:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0201200801.htm

50 são carbonizados em igreja do Quênia

Fiéis procuravam abrigo após terem casas queimadas, em conflitos étnicos provocados por fraude em presidenciais

Para padre católico, outras igrejas abrigam mais de 15 mil refugiados; já há 70 mil deslocados e número de mortos pode chegar a 250

DA REDAÇÃO

Cerca de 50 pessoas foram ontem queimadas vivas na cidade queniana de Eldoret, quando a igreja em que se refugiaram foi incendiada, em meio a conflitos étnicos provocados pela contestada reeleição, no último dia 27, do presidente Mwai Kibaki.

A Cruz Vermelha daquele país da África oriental estima que nas Províncias do oeste ao menos 70 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas aldeias, naquilo que Abbas Gullet, secretário-geral da entidade humanitária, qualificou de “um desastre nacional”.

Eldoret está localizada a 300 km a noroeste da capital, Nairóbi. As vítimas morreram no interior de um templo da Assembléia de Deus, onde se refugiaram depois que suas casas foram incendiadas. São todas kikuyu, mesmo grupo étnico do presidente Kibaki.

Testemunhas citadas pela Reuters dizem que a igreja estava protegida por um grupo de homens armados, que foi derrotado após rápido confronto por um comando de outra etnia. Mulheres e crianças tentaram escapar, mas os algozes mantiveram as portas fechadas. A existência de 50 cadáveres é relatada por uma voluntária da Cruz Vermelha citada pela Associated Press.

“Foi a primeira vez na história de nosso país que um grupo ataca uma igreja. Não acreditávamos que a selvageria fosse tão longe”, disse Eric Kiraithe, porta-voz da polícia.

A região é multiétnica, com o predomínio dos kalenjin. Integrantes da etnia kikuyu já haviam sido vítimas em incidentes ocorridos em 1992 e 1997.

15 mil em igrejas

A catedral católica de Eldoret abrigava ontem 500 refugiados, disse o padre irlandês Paul Brennan. “Casas estão sendo queimadas, e é perigoso deixar a catedral para contar os corpos.” Por suas contas, 15 mil pessoas estão abrigadas em outras igrejas e pela polícia.

O líder da oposição, Raila Odinga, afirmou que o governo é culpado “pelo genocídio” desencadeado após as eleições presidenciais. Estimativas indicam que em quatro dias morreram de 180 a 250 quenianos.

A situação estava também tensa nas favelas de Nairóbi, onde moram dois terços da população da cidade. Anne Njoki, 28, uma kikuyu, teve sua casa saqueada e queimada. Ela se abrigou numa base militar, em companhia da irmã e de uma sobrinha ainda crianças.

Na favela de Mathare, partidários do oposicionista Odinga -cuja derrota presidencial é vista como o resultado de fraude grosseira- capturaram um ônibus, fizeram a triagem de seus ocupantes e surraram apenas os passageiros da etnia do presidente Kibaki

Odinga é da etnia luo, que acusa Kibaki de favorecer os kikuyu, majoritários no Quênia, com a corrupção e distribuição de contratos e empregos.

Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido não cumprimentaram Kibaki por sua reeleição, uma forma de considerá-la pouco legítima. Ontem, em Londres, o porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown exortou Odinga e o presidente reeleito a iniciarem diálogo. Mas o líder da oposição disse que só o faria se o adversário parasse de se auto-qualificar como presidente.

Com agências internacionais

La violencia en Kenia deja unos 300 muertos y más de 100.000 desplazados, 02/01/08

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20minutos.es, 02/01/08:

http://www.20minutos.es/noticia/328043/0/kenia/disturbios/muertos/

La violencia en Kenia deja unos 300 muertos y más de 100.000 desplazados

AGENCIAS / 20MINUTOS.ES

El número de muertos registrados en Kenia desde las elecciones del pasado 27 de diciembre asciende a 300 personas, según distintas organizaciones de derechos humanos.

Además, según la Cruz Roja Internacional, hay más de 100.000 personas que han perdido sus hogares.

La violencia estalló tras el anuncio de la victoria electoral del presidente. La Unión Europea y Estados Unidos se han negado a felicitar al reelegido presidente Mwai Kibakii, ante denuncias de fraude y el presidente de la Comisión Electoral no se atreve a oficializar un ganador.

La cifra de muertos no para de crecer mientras en Nairobi se forman colas en los mercados

El último capítulo sangriento de los enfrentamientos políticos y tribales que están sacudiendo a Kenia se produjo en Eldoret, localidad situada a unos 400 kilómetros al oeste de Nairobi, donde varias decenas de personas, la mayoría mujeres y niños, murieron carbonizados en el interior de una iglesia.

Un voluntario de la Cruz Roja que contó los cadáveres y ayudó a los heridos ha asegurado que en el incidente han perecido unas 50 personas.

Por las calles de Nairobi se puede ver cómo los habitantes hacen largas colas de espera a las puertas de los supermercados. También escasea el combustible. El centro permanece cerrado a la circulación, aunque con menos medidas de seguridad. Según la policía, la situación ha mejorado en la ciudad costera de Mombasa, en Kisumu (Valle del Rift) y Nakuru (región Central).

Manifestación para el jueves

En la capital, la delegación de observadores de la Unión Europea ofreció en la mañana del martes una rueda de prensa en la que presentó serias dudas sobre la legitimidad de los resultados de las elecciones. Alexander Graf Lambsdorff, jefe de la misión, pidió “la revisión del recuento por parte de una comisión independiente”.

La conferencia de prensa de la delegación europea contrasta con la realizada poco después por Alfred Mutua, portavoz del Gobierno, que aseguró que Kibaki fue reelegido en “elecciones limpias”. El portavoz también recordó que todas las manifestaciones políticas han sido prohibidas por el gobierno.

El opositor Movimiento Democrático Naranja (ODM) de Raila Odinga, que no ha reconocido la victoria de Kibaki, tiene previsto llevar a cabo una manifestación el jueves a la que asegura concurrirán más de un millón de seguidores, en el parque Uhuru.

KENYA: Une aide urgente pour les milliers de déplacés de la région de Molo, 07/12/07

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IRIN News, 07/12/07:

KENYA: Une aide urgente pour les milliers de déplacés de la région de Molo

NAIROBI, 7 décembre 2007 (IRIN) – La tension est vive dans le district de New Molo dans la province kényane de la Rift Valley, où des affrontements intercommunautaires ont fait 15 morts et près de 16 000 déplacés depuis le mois d’octobre, a indiqué un représentant de la Société de la Croix-Rouge kényane ((KRCS), le 6 décembre.

« Les déplacés dorment à l’air libre et avec le froid qu’il fait en ce moment, ils ont contracté la pneumonie et d’autres infections respiratoires », a expliqué à IRIN le docteur James Kisia, secrétaire général adjoint de la KRCS.

Les régions les plus affectées sont les divisions de Kuresoi, Keringet et Olengurone de New Molo, a précisé M. Kisia. Les affrontements ont fait de nombreux blessés, dont certains ont été admis à l’hôpital, et au moins 200 habitations ont été incendiées dans ces régions.

« Les gens ne peuvent pas retourner dans leurs champs et les sanitaires dans les zones où ils se sont réfugiés sont limités ; certains consomment même l’eau impropre d’une rivière proche », a-t-il ajouté. « Même si nous distribuons actuellement des produits alimentaires et non alimentaires, nous sommes confrontés à d’énormes difficultés car nous n’avons pas les fonds nécessaires pour couvrir les besoins de tous les déplacés ».

Selon Josephat Wafula, coordinateur de la KRCS pour le district de Nakuru, au moins 200 familles sont arrivées dans la ville de Molo et la plupart d”entre elles ont trouvé refuge dans la cour de l’église.

« Aucun affrontement n’a été signalé au cours de la nuit [du 5 au 6 décembre], mais d’après les informations qui nous sont parvenues, plusieurs maisons auraient été incendiées », a-t-il indiqué.

Le 5 décembre, la KRCS a décrété que New Molo vivait une crise humanitaire et a lancé un appel de fonds pour aider la population affectée.

Selon la KRCS, les affrontements qui opposent trois communautés ont des motifs politiques.

Pour certains analystes et observateurs politiques, l’origine de ces différends remonte à la période coloniale du Kenya lorsque, en 1941, le gouvernement a fait venir à Olengurone 4 000 squatters pour travailler dans des plantations et des fermes de colons blancs.

Depuis les années 1990, les affrontements qui ont lieu dans la région opposent les descendants de ces squatters et les membres des autres communautés locales.

Selon un analyste, ces villageois sont devenus des pions dans les jeux politiques des politiciens qui, pendant chaque année électorale, incitent leurs partisans à chasser leurs voisins en leur promettant de leur attribuer les terres abandonnées par les fugitifs.

Le 6 décembre, la presse indiquait que la police avait arrêté 102 personnes impliquées dans les violences et que 60 autres avaient été traduites devant les tribunaux depuis le début des affrontements.

D’après M. Kisia, les violences semblent cycliques et s’intensifient pendant les périodes électorales. Des élections générales devraient avoir lieu au Kenya le 27 décembre.

« La tension est vive sur le terrain, et la méfiance entre les communautés des régions affectées est permanente », a indiqué la KRCS dans son dernier bulletin d’information. « Au début les affrontements étaient concentrés dans la région de Kuresoi, mais il semble que la violence soit montée d’un cran dans les divisions voisines de Keringet. Les familles déplacées campent actuellement dans le centre de la ville, les commissariats, le bureau du chef de district et dans les églises ».

Les champs de maïs, de haricots, de patates qui étaient prêts à être récoltés ont été abandonnés, selon la KRCS.

« Finalement, les cultures des champs vont être perdues, ce qui va prolonger la souffrance de la population affectée ».

Dans un camp de déplacés de Keringet, les ressources en eau et les installations sanitaires sont limitées, et les déplacés utilisent l’eau des puits ou des quelques robinets du camp, a indiqué la KRCS.

« Près de 400 personnes campent dans la cour du commissariat de police, et la plupart d’entre elles sont des femmes et des enfants de moins de cinq ans », selon la KRCS. « Il n’y a que trois latrines et un puits et les déplacés sont obligés de consommer l’eau impropre des cours d’eau proches ».

D’après Patrick Nyongesa, directeur régional de la KRCS pour la région de North Rift, le gouvernement a fait distribuer du maïs, des haricots et de l’huile aux villageois affectés par les violences, mais une aide supplémentaire est indispensable.

« Compte tenu de la tension qui règne actuellement, il semble que la situation n’évoluera pas de si tôt et qu’il va falloir fournir des vivres et une assistance non alimentaire aux déplacés », a-t-il souligné.

Kenya: deportación ilegal de solicitantes de asilo somalíes, 30/11/07

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JRS Dispatches, 30/11/07:

http://www.jrs.net

(Servicio Jesuita a Refugiados)

Kenya: deportación ilegal de solicitantes de asilo somalíes

El 20 de noviembre, las autoridades kenyatas deportaron a 64 somalíes a la capital, Mogadiscio, una ciudad sin ley. El Consorcio para los Refugiados de Kenya condenó rotundamente la deportación de somalíes que permanecían detenidos en el aeropuerto desde el 12 de noviembre.

En su declaración, el Consorcio decía que, como miembro de la comunidad internacional y signatario de convenciones internacionales, Kenya tiene la obligación de proteger la vida humana y la dignidad de las personas. La Ley de Refugiados de Kenya de 2006 dispone un proceso de selección,valoración y determinación del estatuto de refugiados para cualquier persona que lo solicite. Deportar a extranjeros sin garantizarles el derecho a buscar asilo es una clara violación de su ley nacional y de la ley humanitaria internacional.

Según el Consorcio, se negó a los somalíes deportados el derecho a buscar asilo, a acceder a las organizaciones humanitarias o a la Agencia de Naciones Unidas para los Refugiados (ACNUR). Han sido retornados a Mogadiscio donde su seguridad es incierta.

En Kenia. una ley estableció el Departamento para los Asuntos de los Refugiados como la autoridad principal para la gestión de los refugiados en Kenya.

Ciertamente, se están priorizando las cuestiones de seguridad interna. Las obligaciones humanitarias no entran en conflicto con las preocupaciones por la seguridad, y la Ley de Refugio está para garantizar que los intereses nacionales queden también protegidos.

Kenya cerró sus fronteras con la vecina Somalia el pasado enero después de que tropas etíopes y somalíes expulsaran a extremistas islamistas de Mogadiscio tras una guerra de dos semanas. El gobierno dijo que estaba impidiendo la entrada de personas peligrosas e inmigrantes ilegales a través de una frontera donde la violencia es habitual.

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