MIGREPI

23 Outubro, 2008

Retirada da Cisjordânia: colonos israelenses querem compensação para partir, 10/09/08

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Blog Controvérsia, 10/09/08:

http://blog.controversia.com.br/2008/09/10/retirada-da-cisjordania-colonos-israelenses-querem-compensacao-para-partir/

Retirada da Cisjordânia: colonos israelenses querem compensação para partir

Muitos colonos israelenses deixariam alegremente suas casas na Cisjordânia, desde que recebam uma compensação financeira. O grupo Bait Echad tem pressionado por uma retirada planejada para evitar a repetição das cenas caóticas na Faixa de Gaza

Christoph Schult

Quando Benny Raz chega à noite em casa e desce do seu carro, seus vizinhos dão as costas para ele e desaparecem em suas casas. Raz está vestindo uma jaqueta preta curta e jeans. Sua cabeça parece uma escultura modelada de forma grosseira, com suas maçãs do rosto pronunciadas e olhos situados profundamente em suas órbitas. Ele tem 55 anos e diz: “Eu perdi todos meus amigos aqui”.

Raz, um israelense, se senta em um velho sofá em sua sala de estar e acende um Imperial, a marca favorita de cigarro dos palestinos. Sua esposa entra na sala e serve Nescafé com biscoitos. Ela diz: “Só para deixar uma coisa clara, Benni: você não fala por mim”. Ele é um estranho até mesmo em sua própria casa.

O lugar que ele chama de lar é a cidade de Karnei Shomron, um assentamento judeu com uma população de 6.400 pessoas no meio da Cisjordânia palestina, a região que Israel capturou na Guerra dos Seis Dias em 1967. Um total de 275 mil israelenses vive em mais de 120 assentamentos na Cisjordânia, sem contar Jerusalém Oriental.

Quando Raz se mudou para Karnei Shomron com sua família em meados dos anos 90, ele apoiava o radical Partido Moledet de direita de Israel, que deseja que os palestinos na Cisjordânia sejam assentados em países árabes.

Mas a certa altura Raz se viu tomado por dúvidas. Ele viu como as mulheres palestinas, com seus bebês, eram forçadas a esperar por horas nos postos de controle militares, e como o exército israelense detinha palestinos doentes por longos períodos. Ao longo dos anos, Raz chegou ao que pode parecer um entendimento quase banal, mas um que é impressionante para um nacionalista israelense de direita: “Nós não podemos governar outro povo”.

Raz não é ativista da paz, e é tudo menos ingênuo, assim como não precisa de qualquer lição de patriotismo. Ele já serviu em uma unidade de combate do exército israelense, trabalhou no Líbano como agente da agência de inteligência israelense, o Mossad, e foi um marechal-do-ar de uma companhia aérea nacional israelense, a El Al. Em 1975, ele estava no avião que foi atacado com bazucas por terroristas no Aeroporto de Orly, em Paris. Mais de 100 israelenses foram salvos, em parte devido à sua intervenção corajosa.

Evitando uma repetição de Gaza

Agora, mais de 30 anos depois, Raz tem a sensação, novamente, de ter de proteger seus patrícios israelenses de algum mal. Mas desta vez são 80 mil em risco, que é o número de colonos vivendo ao leste do muro de segurança na Cisjordânia. O ex-primeiro-ministro Ariel Sharon justificou a construção do muro em 2003 alegando que visava proteger Israel de ataques palestinos. Mas ele também expandiu o território israelense. Ao fazê-lo, Sharon colocou a maioria dos colonos judeus sob controle israelense. Todavia, o muro deixou 77 assentamentos do outro lado – no lado palestino.

Quando Raz viu quão caótico foi processo de evacuação forçada dos assentamentos na Faixa de Gaza e quão profundamente ele dividiu seu país, ele decidiu se envolver. Por estar convencido de que Israel algum dia removerá a maioria dos assentamentos na Cisjordânia, ele contatou parlamentares do Partido Likud de direita e propôs uma nova lei, sob a qual o Estado compensaria os colonos dispostos a deixarem suas casas voluntariamente, para que assim possam construir novas casas em território israelense. O argumento por trás de sua proposta era de que assim que a retirada estiver oficialmente marcada, os colonos seriam forçados a vender suas velhas casas por valor bem abaixo do de mercado, se conseguissem vender.

Os políticos de direita não se interessaram pela idéia de Raz. Do ponto de vista deles, uma evacuação voluntária seria um sinal de fraqueza. Mas Raz conseguiu encontrar aliados na esquerda. Juntamente com parlamentares do Partido Merez e do Partido Trabalhista de esquerda, ele fundou o movimento Bait Echad, ou “Uma Casa”. Ele tem tido um sucesso inesperado.

Importantes políticos dentro da coalizão de governo israelense passaram a apoiar a iniciativa legislativa de Raz. O ministro da Defesa, Ehud Barak, agora a apóia, assim como a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, atualmente a principal candidata a suceder o primeiro-ministro Ehud Olmert. O princípio da retirada em troca de compensação também faz parte do plano de paz que Olmert propôs aos palestinos.

O vice-primeiro-ministro Haim Ramon acredita que, ao aprovar a legislação, o governo poderá provar aos palestinos e à comunidade internacional que fala sério a respeito da solução de dois Estados. Ao mesmo tempo, diz Ramon, isso fortaleceria a reivindicação de Israel de manter seus assentamentos a oeste do muro.

Nessas áreas, Jerusalém ainda aprova a construção de novas casas e prédios de apartamentos, uma política que é desaprovada até mesmo pelo governo americano pró-israelense. Como o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assegurou ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, um Estado palestino não deve se parecer com um “queijo suíço”.

Mas mesmo se o processo de paz com os palestinos fracassar, a maioria dos israelenses é contrária a uma permanência nas áreas palestinas. O Partido Kadima de Olmert já anunciou que Israel planeja a retirada da maioria dos assentamentos na Cisjordânia – se não após as negociações com os palestinos, então unilateralmente, seguindo o modelo da retirada da Faixa de Gaza em 2005.

Moti Morel, um profissional de relações públicas, está encarregado de divulgar o Bait Echad. Ele já aconselhou vários políticos, incluindo o líder do Partido Likud, Benjamin Netanyahu. “Diferente de Gaza, onde os colonos foram evacuados no último minuto, nós estamos planejando antecipadamente a retirada da Cisjordânia”, diz Morel. Ele diz que 5 mil colonos já se registraram no programa Bait Echad. A meta da organização, segundo Morel, é registrar o máximo de pessoas para que os políticos sejam forçados a aceitar a lei.

Morel não é escrupuloso quando se trata de escolher seus métodos. Em uma campanha, ele imprimiu cartões verdes dobrados, semelhantes a passaportes, com o selo da Autoridade Autônoma Palestina e os enviou a todos os colonos a leste do muro da fronteira. A mensagem era clara: cedo ou tarde, seus assentamentos serão evacuados. Se permanecerem, vocês se tornarão cidadãos do Estado da Palestina.

As chances de sucesso do plano são boas, diz Morel. Muitos dos judeus que vivem na Cisjordânia não são fanáticos religiosos que acreditam que é a vontade de Deus que se estabeleçam na Erez Israel (Terra de Israel) bíblica. Segundo uma pesquisa encomendada por Morel, 53% dos colonos não se mudaram para a Cisjordânia por motivos ideológicos, mas porque os terrenos eram mais baratos do que em Tel Aviv, por exemplo. O problema, diz Benni Raz, é que os colonos religiosos estão pressionando a todos. Os líderes dos colonos alegam que os renegados quase não têm apoio. Mas na verdade eles vêem o Bait Echad como uma grave ameaça, diz Zwi Kazower, o presidente do conselho comunitário de Kiryat Arba, perto de Hebron: “Se a lei for aprovada, mais do que alguns poucos colonos deixarão este lugar”.

‘Quão rapidamente posso sair daqui?’

É pouco antes das 21 horas da noite de domingo. Benny Raz fez uma viagem ao assentamento vizinho de Nofim, lar de pouco mais de 100 famílias. Na casa da família Friedman, ele conhece Avshalom Vilan, um membro do Parlamento israelense, o Knesset, que faz parte do Partido Merez de esquerda. Juntamente com o anfitrião Kobi Friedman, um empresário local, eles organizaram uma reunião para fornecer informações sobre o Bait Echad. O telefone toca assim que estão prestes a sair para o centro comunitário. Um amigo do outro lado da linha os aconselha a cancelarem o evento, alertando que pessoas planejam perturbar a reunião.

Os Friedman decidem realizar a reunião em sua casa. Algumas poucas pessoas têm coragem de vir, com uma dúzia presente no final. Vilan, o membro do Knesset, explica a lei de compensação. Ele diz: “Ou chegamos a um acordo com os palestinos, sendo que nesse caso vocês terão que partir. Ou ocorrerá uma terceira intifada, e então vocês serão os primeiros alvos”. Friedman, o anfitrião, acrescenta: “Nós nos mudamos para cá porque era o que o governo israelense queria. Agora as condições mudaram, então o governo tem de nos ajudar a partir de novo”.

Um jovem com cabeça raspada diz: “Eu não me mudei para cá por motivos ideológicos. Eu só estou interessado em uma coisa: Quão rapidamente posso sair daqui se a proposta se tornar lei?” Outro homem concorda, acrescentando: “Desde a construção do muro, viver aqui é como viver no gueto”.

No final da reunião, um homem com barba branca diz: “Nós somos colonos para defender Israel. Veja o que está acontecendo em Gaza. Nós partimos e agora eles estão disparando foguetes contra nós. Nós não podemos dar terras aos árabes”.

Esta posição sem concessão e fútil é uma forma de ver as coisas e era como Raz costumava se sentir. Sua campanha é uma tentativa de encontrar uma saída.

“Der Spiegel”

22 Agosto, 2008

Amoureuses et prisonnières à Ramallah, em francês

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Courrier International (França), 03/12/07

PALESTINE • Amoureuses et prisonnières à Ramallah
Des centaines d’étrangères, en particulier ukrainiennes et russes, qui ont épousé des Palestiniens et se sont établies en Cisjordanie doivent vivre dans l’illégalité en raison du gel du regroupement familial décidé par Israël.
Alors que nous arrivons au bout de notre conversation, flanquée de son époux et de ses deux enfants, Tatiana Yunis rapporte de la pièce voisine la dernière édition du journal Vesti ["Les Nouvelles", un quotidien russophone israélien]. Sur la première page, on voit une photo avec un swastika et un article sur un groupe de néonazis russophones. Si Tatiana condamne ce phénomène, elle dit néanmoins comprendre comment il a pu se développer, à la lumière de l’attitude de la société israélienne envers les immigrants.

Notre conversation serait banale si elle ne se déroulait à Ramallah, une ville où le Dr Tatiana Yunis achète tous les jours son journal russo-israélien. Avec les sites Internet en langue russe, ce quotidien est l’une de ses sources principales d’information et lui permet de compenser l’immobilité physique à laquelle elle est condamnée. Comme d’autres étrangères qui ont épousé des Palestiniens des Territoires, Tatiana Yunis est une résidente illégale à son propre domicile. Elle est dépourvue de tout statut dans sa nouvelle patrie, persécutée et privée de tous ses droits.

Née il y a trente-trois ans de parents enseignants dans la ville de Zaporojie, en Ukraine orientale, Tatiana Argov y a entamé des études de médecine en 1992 et rencontré à la bibliothèque de la faculté un autre étudiant, un jeune musulman originaire de Naplouse. La simple vue des yeux verts de Tatiana a suffi à Hatam Yunis pour lui dire : “Tu seras ma femme.” “Je lui ai dit qu’il était fou, se rappelle Tatiana, mais il a tenu bon.” L’amour et l’exotisme l’ont emporté. Tatiana l’orthodoxe et Hatam le musulman se sont mariés. Il s’est spécialisé en pédiatrie et elle en gynécologie. C’est à cette époque que Yasmin, aujourd’hui âgée de 11 ans, est née. Karim-Kyrill est né quant à lui il y a quatre ans à Ramallah, bien après leur retour dans les Territoires en 1998.

A cette époque, la sécurité régnait en Cisjordanie et la situation contrastait avec la misère en Ukraine, un pays où les salaires des jeunes médecins sont misérables et où quiconque a une bonne raison de partir le fait. Fidèle au proverbe russe “Ta patrie est ma patrie”, Tatiana avait de bonnes raisons de suivre son époux. Elle pensait tout au plus être quelque temps une étrangère dans ce pays, comme Hatam l’avait été en Ukraine. Ce qu’elle ne savait pas, c’est qu’elle resterait huit ans sans voir ses parents. Au Club des femmes russes de Ramallah, Tatiana rencontre régulièrement 250 femmes au destin identique au sien. La situation est très complexe pour les enfants. Ils étudient à la German Lutherian School et parlent couramment le russe, l’arabe, l’allemand et l’ukrainien, peut-être pour se préparer au jour où ils devront décider qui ils sont exactement.

Avant la seconde Intifada [septembre 2000], la vie était différente. Le jeune couple voyageait beaucoup. Le permis de séjour de Tatiana était encore valide et ils étaient tous deux libres d’aller à Tel-Aviv ou à la plage. Avec le déclenchement de l’Intifada, tout s’est effondré. Le permis de Tatiana a expiré et le gouvernement israélien a gelé toutes les procédures de regroupement familial. Depuis lors, Tatiana est considérée par Israël comme une résidente illégale dans les Territoires. Si elle part, elle ne pourra jamais revenir.

De mes conversations avec des officiels israéliens il ressort que l’enjeu démographique est un facteur officieux d’explication. En quelque sorte, empêcher tout regroupement familial permettrait de réduire le nombre d’habitants [palestiniens] des Territoires. Mais cette explication est absurde, dès lors que les enfants de couples mixtes sont enregistrés comme résidents des Territoires. Le gel du regroupement familial a touché des milliers de familles. Or il ne s’agit pas ici de Palestiniens qui désireraient obtenir la citoyenneté israélienne ou un titre de séjour en Israël : il s’agit au contraire de citoyens étrangers qui désirent être inscrits à un registre palestinien de population comme résidents permanents des Territoires. Mais, même après la signature des accords d’Oslo [en septembre 1993 entre Israël et l'OLP], Israël a conservé le contrôle des registres de population. Etant donné que, depuis sept ans, l’administration [militaire] israélienne n’a jamais émis que des avis négatifs, de nombreux couples ont été incapables de résister à la pression et se sont séparés. Quant à ceux qui ne se sont pas séparés, ils vivent dans la peur.

Lily Galili

Israel confirma mais construções para 2008 em Jerusalém Oriental

Folha de São Paulo, 24/12/07
Israel confirma mais construções para 2008 em Jerusalém Oriental
Expansão de assentamentos, como ataques do Hamas, viola acordo de paz

DA REDAÇÃO

O governo de Israel confirmou ontem que está previsto em seu Orçamento de 2008 dinheiro para a construção de mais 740 casas em dois assentamentos na parte oriental de Jerusalém. O plano, criticado pela Autoridade Nacional Palestina, vai contra a intenção recentemente manifestada por Israel e ANP de retomar as negociações para a paz definitiva.

Tal intenção foi expressa pelo premiê de Israel, Ehud Olmert, e o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, numa conferência patrocinada pelos EUA no fim do mês passado em Annapolis. Ambos se comprometeram a retomar o Mapa do Caminho, plano de 2003 (depois abandonado) que prevê criar um Estado palestino -Jerusalém Oriental é reivindicada para ser sua capital. O plano previa a suspensão da expansão dos assentamentos israelenses nos territórios ocupados.

Mas o Mapa do Caminho também determinava o fim dos ataques de militantes palestinos a Israel, o que tem prosseguido a partir da faixa de Gaza, área controlada pelo grupo radical islâmico Hamas, que venceu as eleições parlamentares de 2006 e neste ano rompeu com o Fatah, partido de Abbas.
Está prevista para hoje a segunda das reuniões israelo-palestinas periódicas acordadas em Annapolis. A primeira, no dia 12, acabou sem avanços.

Também ontem Olmert rejeitou uma oferta de trégua do Hamas. O grupo ofereceu suspender os ataques se Israel levantasse o embargo econômico contra Gaza. O premiê exige que o Hamas reconheça Israel antes de qualquer negociação.

Israel retoma a construção de uma colônia controvertida – 12/07

Le Monde, 06/12/07
Israel retoma a construção de uma colônia controvertida

Michel Bôle-Richard
Correspondente em Jerusalém

Uma semana depois da cúpula de Annapolis (Maryland, EUA), a administração israelense oficializou uma concorrência pública para a construção de 307 novos alojamentos na colônia de Har Homa. A criação desta colônia, próxima a Belém, no final dos anos 1990, já havia provocado controvérsias.

No momento em que deverão ser iniciadas, em 12 de dezembro, negociações que se destinam a tentar criar um Estado palestino, a extensão da colônia de Har Homa é considerada como “uma provocação” pelos palestinos. “Se Israel não cancelar esta decisão, isso irá sabotar os resultados de Annapolis antes mesmo do início da sua aplicação”, declarou Saeb Erakat, o principal conselheiro de Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestina.

Para o governo israelense de Ehoud Olmert, esta colônia faz parte da “Grande Jerusalém” e deveria, dentro da perspectiva da criação da Palestina, ser englobada naquilo que os israelenses chamam de a sua “capital unificada e indivisível”. Em contrapartida, para os palestinos, ela está situada no território que foi conquistado durante a Guerra dos Seis Dias (1967) e deve ser incorporada a Jerusalém Leste, da qual a Autoridade Palestina pretende fazer a sua capital.

Apêndice de Jerusalém


Ehoud Olmert comprometeu-se a proibir a construção de novos assentamentos e a desmantelar as colônias “selvagens”, mas ele se recusou a impedir a ampliação das colônias existentes, principalmente nos três grandes blocos que supostamente devem ser integrados ao território israelense. A questão é saber se Har Homa será considerada um apêndice de Jerusalém, como afirma Mark Regev, o porta-voz do governo, para quem “Israel estabelece uma distinção clara entre a Cisjordânia e Jerusalém, uma cidade que está submetida à soberania israelense”.

Dentro da perspectiva das negociações que deverão decidir o futuro de Jerusalém Leste e o traçado das fronteiras da Palestina, Israel pretende conservar as suas conquistas na região. Cerca de 180.000 colonos estão instalados em Jerusalém Leste, e outros 267.500 na Cisjordânia, dos quais cerca de dois terços vivem a oeste da “barreira de segurança” que, quando estiver concluída, terá 760 km de comprimento. Israel deseja conservar o território que ele conquistou por meio da construção da barreira. Este território inclui cerca de 10% da Cisjordânia e também toda a margem ocidental do rio Jordão.

Foi por esta razão que Ehoud Barak, o ministro da defesa, propôs, no domingo, 2 de dezembro, dar o seu apoio a uma lei que permitirá oferecer uma compensação aos colonos que vivem a leste da “barreira de segurança” e desejam abandonar voluntariamente o seu domicílio. Entre 70.000 e 80.000 colonos encontram-se nesta situação. Eles deverão ser evacuados em caso de criação do Estado palestino. Este projeto provocou uma onda de protestos no âmbito da direita e entre os partidários do “Grande Israel”.

Estes últimos também andaram protestando contra as declarações de Ehoud Olmert, que se referiu à destruição de 21 colônias “selvagens”, de um total de 105 que foram listadas pela organização A Paz Agora. Num relatório publicado na terça-feira (4/12), este movimento pacifista que se opõe à colonização da Cisjordânia revela que, das 3.449 ordens de demolição de assentamentos ilegais, apenas 107 foram executadas nos últimos dez anos. Quanto às inúmeras promessas de desmantelar as colônias “selvagens”, elas nunca foram acompanhadas por ações concretas.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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