MIGREPI

23 Novembro, 2008

Nikkeis do mundo trocam informações, 02/10/08

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Tudo Bem Online, 02/10/08:

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Nikkeis do mundo trocam informações

Encontro internacional promoveu uma discussão em prol de união entre as comunidades brasileiras

por Redação Tudo Bem

Representantes nikkeis do mundo todo se reuniram na 49ª Convenção dos Nikkeis e Japoneses do Exterior, em Tokyo. Com o intuito de discutir assuntos relacionados às comunidades de ascendência nipônica espalhadas pelo mundo, a reunião anual tem buscado expandir conhecimentos e experiências adquiridas por imigrantes e nikkeis, além de estudar novas formas de difundir essas informações entre eles.

O encontro ocorreu entre 1 e 3 de outubro nos escritórios e centros de pesquisas da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão) e a emissora de TV japonesa NHK.

E como tornar o diálogo entre as dezenas de comunidades do mundo mais prático e acessível? A questão em si, bastante comentada durante a convenção, não se trata de um monstro de sete cabeças, pois a sociedade globalizada permite, por meio de diversas alternativas, que a rede de discussões seja de alcance geral.

Porém, o grande problema é a falta de organização: a ausência de um meio que possibilite a centralização de todas as informações que circulam entre os nikkeis. A partir desse pressuposto, representantes e participantes de vários países levantaram suas opiniões e expressaram suas idéias.

Centenário

As festividades e conquistas relacionadas ao centenário da imigração japonesa no Brasil não ficaram de lado e foram relatadas por Masato Ninomiya, diretor do Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior (Ciate), um dos representantes da comitiva brasileira e também moderador da mesa de discussões ocorridas no Centro de Pesquisa da JICA.

Ninomiya ressaltou que “o aprofundamento da relação entre Brasil e Japão trouxe frutos positivos: a instalação de uma companhia afiliada à Petrobrás em território japonês e a compra de aviões da frota brasileira foram grandes conquistas que se concretizaram devido a parceria bilateral.

A penúria de diplomados conduz a uma guerra da massa cinzenta, 07/11/08

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Blog Controvérsia, 07/11/08:

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A penúria de diplomados conduz a uma guerra da massa cinzenta

Brigitte Perucca

Depois da fuga dos cérebros, teria chegado a hora da guerra da massa cinzenta? Esta perspectiva, com a qual acena o diretor adjunto da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos) para assuntos de educação, nada tem de inverossímil. Assim, como posfácio para um número da revista “Formation Emploi” (Formação Emprego) – editada pelo Centro de Estudos e de Pesquisas sobre as Qualificações (Céreq) – dedicado a esta temática, Bernard Hugonnier escreveu que, diante da globalização, “o que importa é descobrir se (…) a demanda crescente por cérebros, que tem tudo para acontecer no mundo inteiro, será ou não atendida por uma produção de capital humano proporcional. Tudo nos leva a duvidar disso”.  

As penúrias que já vêm atingindo certas profissões – os docentes na Alemanha ou a carência de profissionais especializados no setor da saúde nos Estados Unidos, por exemplo – constituem os sinais precursores desta provável carência.

O fato de a saúde e a educação figurarem no primeiro lugar entre os setores envolvidos nada deve ao acaso. Diferentemente dos centros de atendimento por telefone que podem ser facilmente terceirizados, esses serviços de “forte densidade em capital humano, que até agora registraram reduzidos ganhos de produtividade potenciais”, não são “intercambiáveis”. A “presença física” dos médicos e dos professores é necessária no território, lembra, no mesmo número da revista, a economista Annie Vinokur, que ainda sublinha a qual ponto os países vêm organizando a penúria nesses setores.

Foi assim que o Reino Unido optou por priorizar, durante muitos anos e até uma reviravolta recente, a vinda maciça de médicos estrangeiros. Da mesma forma, os Estados Unidos, que detectaram importantes necessidades no plano da renovação dos seus quadros de profissionais da saúde, não consideraram nenhum plano de formação em massa para preencher esses quadros. Essas fugas de cérebros podem tornar-se, na escala de uma região, um “jogo de cadeiras musicais” entre os países, prossegue Annie Vinokur, referindo-se ao caso dos médicos da África do Sul que se exilaram rumo aos países anglo-saxões e foram substituídos, nas áreas rurais, por homólogos “importados” dos países vizinhos.

Os países menores e mais pobres já são os grandes perdedores em decorrência desta situação. Assim, a “taxa de emigração qualificada” pode variar de “menos de 5% nos países emergentes que possuem amplas “reservas”, como a Indonésia, a Índia, a China ou o Brasil, para mais de 50% em vários países da África subsaariana, e até mesmo para mais de 80% em ilhas tais como a Jamaica, o Haiti ou Granada”.

Essas movimentações vêm ocorrendo em meio a um contexto de grande desequilíbrio em matéria de investimento na educação. Enquanto os países desenvolvidos apresentam uma taxa de participação no ensino superior próxima de 50%, os países em vias de desenvolvimento registram uma taxa inferior a 10%. Enquanto “a elite escolar” dos países da OCDE – ou seja, a porcentagem dos alunos que alcançam aos 15 anos os melhores níveis de competência em termos de cultura científica – é estimada em 8,8% dos alunos, aquela dos países em vias de desenvolvimento não supera os 4%.

Considerando-se o custo muito elevado da formação de um diplomado, são poucas as chances para que os desequilíbrios diminuam. Vinte anos de estudos representam uma despesa de cerca de US$ 150.000 (R$ 322.500, o número oficial da OCDE, divulgado em 2004) por pessoa, ou seja, uma despesa que tanto os países ricos quanto os pobres costumam relutar a fazer. Com isso, um jogo em que todos perdem passa a predominar no cenário, no final do qual “o país que exporta capital humano, considerando as quantias que foram investidas e perdidas, tenderá a investir menos na educação; enquanto o país importador estará naturalmente mais propenso a fazer o mesmo, uma vez que ele pode contar com o investimento dos outros países”, resume Bernard Hugonnier. Isso porque o fantasma de uma “guerra dos cérebros” se alimenta em primeiro lugar e acima de tudo de um investimento reduzido demais por parte dos países mais ricos na educação.

Agora que “a caça predatória e agressiva aos talentos tornou-se a regra”, segundo a fórmula empregada por Annie Vinokur, será que soluções compensatórias poderiam ser consideradas? Será possível imaginar um “mercado” mundial das pessoas altamente qualificadas, a exemplo daquele das transferências de jogadores de futebol?

Inspirar-se num modelo como este poderia “justificar um aumento da ajuda pública para o desenvolvimento, a qual deveria ser calculada em função do número dos expatriados em relação ao mercado do trabalho do seu país de origem”, propõe Bernard Hugonnier. Uma outra idéia sugerida por este especialista consiste em taxar “proporcionalmente” as empresas que contratam esses profissionais.

Le Monde

Talentos em trânsito, 27/10/08

Blog Controvérsia, 27/10/08:

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Talentos em trânsito

Estudos mostram que a circulação de cérebros pode render benefícios para os países em desenvolvimento

Fabrício Marques

Ganhou novos contornos o debate sobre a “fuga de cérebros”, expressão utilizada desde a década de 1950 para descrever o êxodo rumo a nações ricas de talentos formados a duras penas por países pobres. Nos últimos anos, com o aprofundamento da integração econômica entre os países e o barateamento dos meios de transporte e de comunicação ligados ao processo de globalização, acentuou-se de tal modo a mobilidade internacional de profissionais bem formados que a academia passou a compreender o fenômeno como algo bem mais complexo e multifacetado, capaz eventualmente de trazer compensações e benefícios para os países atingidos. O termo original desdobrou-se em outros, como “intercâmbio de cérebros” (brain exchange), para designar o que ocorre em países como a Inglaterra, a Alemanha e o Canadá, capazes de atrair pessoal qualificado mas também de perdê-lo, sobretudo para os Estados Unidos. Ou ainda “ganho de cérebros” (brain gain), vinculado a países que obtiveram sucesso em atrair de volta profissionais perdidos para outras nações. Já o conceito de “fuga de cérebros ótima” (optimal brain drain) refere-se a nações que conseguiram manter a saída de talentos em níveis toleráveis e, no longo prazo, ainda extraíram algum benefício da expertise obtida no exterior por seus cidadãos desgarrados.

A lista de expressões derivadas é extensa. Num relatório produzido sob encomenda da Organização Internacional do Trabalho, o norte-americano Briant Lindsay Lowell, professor da Universidade Georgetown, e o escocês Allan Findlay, da Universidade de Dundee, descreveram uma coleção de subfenômenos. Um seria o brain waste (“desperdício de cérebros”), a exportação de profissionais para trabalhar em ocupações bem remuneradas, mas pouco qualificadas, que não exploram ou valorizam a formação obtida no país de origem. Já a “exportação de cérebros” (brain export) serviria para qualificar o êxodo de talentos que conseguem compensar sua ausência de formas variadas, seja fazendo remessas de dinheiro para a família, seja propiciando transferência de tecnologia para seu país de origem, como no caso da Índia, que criou uma pujante indústria de software graças, em boa medida, às legiões de estudantes de computação que foram estudar nos Estados Unidos. As expressões “globalização de cérebros” (brain globalisation) e “circulação de cérebros” (brain circulation) seriam talhadas para definir a mobilidade internacional de talentos que se tornou parte natural da vida das grandes corporações, em particular o rodízio de executivos voltado para garantir vantagens competitivas em mercados globais.

Já a fuga de cérebros em seu sentido tradicional atingiria países em desenvolvimento do Sul e do Leste da Ásia, como Indonésia, Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka, da África e da América Latina – a Argentina é o caso mais lembrado – , que continuam a perder pessoal bem formado sem conseguir reavê-los nem beneficiar-se de sua circulação internacional. “Como muitos processos sociais, o impacto da saída de talentos dos países em desenvolvimento depende de efeitos diretos e indiretos”, escreveram Lowell e Findlay. “Um efeito direto e imediato é a redução do número de trabalhadores bem formados, perda difícil de reparar no curto prazo, mas também existem efeitos indiretos com força para incentivar o crescimento econômico.”

Várias estratégias foram concebidas ou testadas para enfrentar a fuga de cérebros. Curiosamente, elas pouco têm em comum além de nomes que, em inglês, começam pela letra R. Uma delas, a “reparação”, foi abandonada. Consistia na idéia, lançada na década de 1970 pelo economista indiano Jagdish Bhagwati (1934- ), de criar um imposto cobrado dos países ricos para compensar a predação de talentos do mundo em desenvolvimento. Outra que anda em desuso é a que estabelece “restrição” à saída de pessoal qualificado, pela incompatibilidade desse tipo de iniciativa com o respeito a direitos civis em regimes democráticos. Há, ainda, as políticas de “recrutamento”, em que um país tenta oxigenar seu ambiente acadêmico e produtivo atraindo talentos de fora; e as de “retenção”, voltadas para desestimular a evasão pelo fortalecimento dos setores científico e produtivo ou do desenvolvimento econômico. Por fim, há as opções de “retorno”, que busca atrair de volta parte dos profissionais perdidos, e a resourcing option, também conhecida como “opção de diáspora”, que busca mobilizar pesquisadores radicados no exterior para que ajudem a fortalecer conexões da academia e da indústria de seu país de origem com o mundo desenvolvido.

O Brasil, que no passado recorreu à opção de recrutamento para dar consistência à sua comunidade científica – a fundação da Universidade de São Paulo (USP), em 1934, é o principal exemplo dessa estratégia –, seguiu nas últimas quatro décadas uma opção de retenção, ao patrocinar o desenvolvimento de um forte sistema nacional de pós-graduação. As pesquisas sobre a mobilidade internacional de talentos brasileiros, embora escassas, mostram que o país não sofreu prejuízos significativos. Um estudo liderado pelo sociólogo Simon Schwartzman em 1972 constatou que o Brasil tinha uma fuga de cérebros pequena: apenas 5% dos brasileiros de sua amostra ficaram trabalhando no exterior após completarem os estudos. Uma pesquisa feita em 2002 por Reinaldo Guimarães, professor do Instituto de Medicina Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), chegou a resultados semelhantes. Sua análise abrangeu o período de 1993 a 1999 e envolveu a consulta a 2.769 líderes de grupos de pesquisa em todo o Brasil. Ele constatou que 966 cientistas brasileiros migraram para o exterior nesses anos, sendo 443 para trabalhar e 523 para estudar. O resultado representa também 5% do total de 18.180 doutores envolvidos em atividades de pesquisa que se formaram no período.

O país também ostenta uma capacidade apreciável de atrair cientistas de outros países. Um levantamento feito pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2005 mostrou que havia 2.145 estrangeiros com vínculos permanentes nas universidades brasileiras. Isso não significa, contudo, que a aparente imunidade do Brasil ao problema não possa ser revertida. Existe a tendência de o mundo desenvolvido recorrer crescentemente aos países do Sul e do Leste Europeu para suprir suas carências de profissionais de alto nível. Em 2000, a Alemanha ofereceu 20 mil vistos de permanência para especialistas em tecnologia de informação e em pouco mais de um ano conseguiu recrutar a metade desse contingente, principalmente do Leste Europeu.

Uma acentuada tendência de voltar ao país separa os pesquisadores brasileiros no exterior de colegas de outras nacionalidades. Maria Luiza Lombas, que em 1999 defendeu uma dissertação de mestrado na Universidade de Brasília sobre as expectativas de retorno de doutorandos brasileiros em quatro países, lembra que as agências de fomento têm políticas rigorosas no sentido de exigir o retorno de seus bolsistas ao Brasil, sob pena de devolverem o dinheiro investido em sua formação. Em sua pesquisa, ela constatou que 84% dos 346 doutorandos entrevistados planejavam retornar ao Brasil imediatamente após o curso. Dos 16% restantes, a imensa maioria desejava ficar apenas por alguns meses, para complementar o seu treinamento em pesquisa. Desse conjunto, apenas 2% declararam a intenção de estender a sua permanência no exterior por mais de um ano, para exercer, inclusive, alguma atividade profissional. A pesquisadora, que atual­mente é coordenadora-geral de bolsas no exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), observa ainda que a consolidação da pós-graduação brasileira fez com que as agências repensassem a oferta de bolsas para doutorado no exterior. Elas passaram a priorizar modalidades como o doutorado sanduíche ou o pós-doutorado, de permanência bem mais curta, que expõem menos os bolsistas a convites para permanecer no exterior, ainda que a intenção da estratégia não seja essa. “As bolsas estimulam a interação de nossos pesquisadores com o ambiente acadêmico internacional. E eles, quando voltam ao Brasil, retroa­limentam o nosso sistema com sua experiência”, afirma.

Léa Velho, professora do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp, crê que outros fatores influenciam na tendência de retorno. “O Brasil, apesar das dificuldades, ainda oferece chances de trabalho na área acadêmica para esses pesquisadores. Eles têm para onde voltar, o que faz a diferença”, afirma. Léa acrescenta alguns dados culturais. Diz que os brasileiros são avessos à mobilidade até mesmo dentro do território nacional e, quando dizem que querem voltar ao Brasil, estão falando de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. E acrescenta: “Os bolsistas no exterior pertencem a um estrato social que dispõe, aqui no Brasil, de regalias inexistentes em paí­ses desenvolvidos, como a possibilidade de ter empregados ou famílias que ajudam na educação dos filhos. O choque cultural é forte e acho natural que muitos deles não queiram ficar no exterior definitivamente”, afirma. A bióloga Marcia Triunfol, que retornou ao Brasil há dois anos depois de trabalhar por mais de uma década nos Estados Unidos, concorda com a análise de Léa Velho. “A cultura é muito diferente. Senti que aquele compromisso com o trabalho que os brasileiros têm no exterior fica mais relaxado quando eles retornam ao Brasil, talvez pelas condições nem sempre favoráveis ou por viverem sob a asa do financiamento público”, diz.

Marcia havia trabalhado na revista Science e nos Institutos Nacionais de Saúde. Uma razão pessoal marcou sua decisão: ela, que se casara nos Estados Unidos, ficou viúva. “Tinha um bom emprego e podia continuar lá por muitos anos, que provavelmente ninguém me mandaria embora. Mas queria fazer coisas que não estavam ao meu alcance nos Estados Unidos.” Hoje ela vive em Itaipava, no Rio de Janeiro, abriu uma empresa de comunicação científica e peregrina pelo país fazendo workshops que orientam pesquisadores a escrever trabalhos científicos – em inglês.

Para Elizabeth Balbachevsky, professora do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da USP, a opção brasileira de investir no fortalecimento de seu sistema de pós-graduação, embora bem-sucedida, produziu um efeito colateral importante, que é a baixa inserção internacional da pesquisa brasileira. Ela participa de uma rede que estuda a profissão acadêmica em 19 países. Segundo os dados que obteve no Brasil, apenas 21,8% dos profissionais brasileiros entrevistados declararam ter participado de colaborações de pesquisa internacionais nos últimos três anos, índice considerado baixo. Esse índice sobe para 37,6% entre os professores ligados às grandes universidades de pesquisa, onde a pós-graduação é forte, mas que responde por apenas 18 instituições no Brasil. “Embora um número crescente de artigos de pesquisadores brasileiros seja publicado em revistas indexadas internacionalmente, o trabalho em rede ainda é restrito. Se houvesse uma mobilidade de talentos mais acentuada, provavelmente isso seria diferente”, afirma.

Um desses efeitos benéficos registrados em alguns países tradicionalmente atingidos pela fuga de cérebros é a ampliação do investimento das famílias em educação. Há indícios de que a perspectiva da obtenção de um visto de permanência num país desenvolvido estimula mais pessoas em países pobres a investir em educação. Como nem todos os aspirantes efetivamente vão embora, o saldo final é positivo para o país. Num artigo publicado em 2006 numa revista da britânica Royal Economic Society, o trio de economistas Michel Beine, Frederic Docquier e Hillel Rapoport apresentou os resultados de um modelo matemático abastecido por taxas de imigração e pelo nível educacional de vários países. Eles fizeram as contas e chegaram à conclusão de que, quando se dobra a propensão de migração de pessoas bem formadas num determinado país, observa-se um aumento de 5% na proporção com elevado nível de escolaridade entre a população nativa. No caso da Índia, segundo artigo publicado em 2007 pelos economistas Chengze Fan, da Universidade Lingnan, em Hong Kong, e Oded Stark, a chance de migrar para os Estados Unidos para estudar engenharia de computação teria levado muitos jovens indianos a aprender programação, criando uma plataforma de competências que permitiu ao país criar um forte setor de software. Mas esse efeito dependeria de um nível de imigração “ótimo”, além do qual as perdas causam prejuízos difíceis de compensar e abaixo do qual não se geraria o estímulo a ampliar a formação geral da população.

A idéia de que a fuga de cérebros seria inapelavelmente prejudicial partia da premissa de que cada talento representa um ativo de capital humano, cuja formação e qualificações resultam de investimentos feitos por um país. A migração, segundo tal perspectiva, aborta irremediavelmente a expectativa de retorno do investimento realizado. De acordo com o sociólogo francês Jean-Baptiste Meyer, um destacado especialista em mobilidade de talentos, a abordagem do capital humano é falha por contemplar apenas uma das variáveis do fenômeno. Ele lembra que a sociologia da ciência desenvolveu uma concepção dos processos de criação, transmissão e aplicação do conhecimento que é calcada no trabalho coletivo, com ênfase no papel das redes e das comunidades científicas. “As atividades e habilidades individuais apenas fazem sentido ou geram resultados quando vinculadas às comunidades às quais são ligadas”, diz Meyer. De acordo com ele, isso é facilmente observado nos exemplos de cientistas que voltam aos países de origem para amargar o sucateamento de suas competências, pois suas habilidades estão desconectadas do ambiente em que obtiveram seu desempenho máximo. Cálculos feitos por Meyer e pela socióloga sul-africana Mercy Brown mostram que a produtividade do setor de pesquisa e desenvolvimento da chamada Tríade (Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão) era 4,5 vezes maior em termos de artigos publicados e dez vezes maior em termos de patentes do que o mesmo setor no mundo em desenvolvimento. “Esse é um grande problema do conceito de fuga de cérebros”, diz Elizabeth Balbachevsky, da USP. “Ele parte do princípio de que a formação de um doutor é uma aquisição estática, que o profissional conquistou um pacote estanque de conhecimento e de competências. Na verdade, esse patrimônio é dinâmico. Para mantê-lo e aperfeiçoá-lo, é preciso estar num ambiente de pesquisa favorável, caso contrário aquela competência se perderá”, afirma.

Jean-Baptiste Meyer tornou-se um dos principais defensores das potencialidades das opções de retorno, que busca atrair de volta profissionais emigrados, e de diáspora, que tenta engajar a distância os pesquisadores dispersos no exterior com o sistema de ciência e tecnologia de seu país de origem. “Como a capacidade dos emigrados é privilegiada, eles representam um enorme potencial de adicionar recursos para o país de origem”, conclui Meyer. “Isso caso se consiga trazê-los de volta em condições favoráveis ou aproveitá-los de alguma outra forma. Nesse caso, a perda de cérebros se converteria em ganho, pois o país em desenvolvimento se apropriaria de um capital humano cujo treinamento foi feito e financiado em outro país, que seria capaz, eventual­mente, de se tornar um multiplicador do conhecimento de ponta que obteve no exterior”, afirma.

Países como Cingapura, Coréia do Sul e Índia conseguiram atrair de volta uma parte dos cérebros perdidos. Programas de repatriação de talentos foram deflagrados desde os anos 1980, que criaram redes locais nas quais os egressos puderam efetivamente encontrar um lugar e se tornarem operacionais. Os exemplos de maior êxito são o de nações que investem quantias significativas em ciência e tecnologia e dispõem de infra-estrutura capaz de abrigar os egressos. O problema é que tais requisitos não se reproduzem em países mais pobres. Para estes, haveria a opção da diáspora, baseada na estratégia de envolver pesquisadores radicados no exterior em redes voltadas para ajudar o desenvolvimento da ciência e da economia de sua terra natal.

As redes de diáspora baseiam-se na premissa segundo a qual é possível aproveitar, mesmo que de forma remota, o capital humano dos profissionais que emigraram. A vantagem é que elas não dependem de um investimento em infra-estrutura, mas de utilizar recursos já existentes. Seu objetivo é criar elos através dos quais elas consigam se conectar com o país de origem sem que precisem voltar de modo temporário ou permanente. Esse tipo de parceria a distância é hoje possível, como demonstra a proliferação de projetos de pesquisa colaborativa transnacionais, envolvendo tanto instituições acadêmicas como corporações industriais. A South African Network of Skills Abroad (Sansa), criada em 1998, é um exemplo de rede ativa. Seu objetivo é conectar sul-africanos altamente qualificados radicados no exterior com seus conterrâneos a fim de criar um ambiente para colaboração e transferência de conhecimento. Tem mais de 2,2 mil membros espalhados por 60 países. A rede foi criada pelo Science and Technology Policy Centre na Universidade de Cape Town e é hoje gerenciada pela National Research Foundation, organização de pesquisa mantida pelo governo.

Há diversos outros exemplos como a Chinese Scholars Abroad (Chisa), a Red Caldas, rede colombiana de cientistas e profissionais de pesquisa, a Arab Scientists and Technologists Abroad (Asta) e a Silicon Valley Indian Professionals Association (Sipa). Embora geralmente se apresentem como independentes, muitas delas têm ligações com instituições do governo. Mas Meyer e Brown advertem que há poucos exemplos de redes remotas criadas por países em desenvolvimento que conseguiram alcançar uma consolidação. A hipótese mais provável é que pesquisadores e cientistas, atuando lado a lado num mesmo laboratório ou trabalhando remotamente por meio de uma rede internacional, precisam identificar relevância na pesquisa colaborativa para começar a interagir, o que nem sempre acontece com as heterogêneas redes de diáspora. Por isso, países em desenvolvimento devem ser realistas acerca do impacto e usar essa opção de diáspora de forma combinada com outras políticas.

Na prática, a distinção entre as opções de retorno e de diáspora nem sem­pre respeita limites traçados pela teo­ria e aparecem em formas combinadas. Num artigo publicado no início deste ano, Anna Lee Saxenian, professora da Universidade da Califórnia, Berkeley, explora o exemplo dos pesquisadores formados no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e mostra que é possível, através da mobilidade de talentos, transferir know how técnico e institucional entre economias distantes de modo rápido e flexível. Em 2000, cerca da metade dos cientistas e engenheiros do Vale do Silício era estrangeira – juntos, eles somavam 40 mil profissionais em 2000, segundo o Censo norte-americano daquele ano.

Segundo Anna, existem exemplos de pesquisadores formados no Vale do Silício que foram responsáveis por contribuições notáveis no estreitamento de laços tecnológicos entre seus países e as economias mais avançadas. Muitos desses talentos viajam regularmente entre os Estados Unidos e sua terra natal e há os que se tornaram “transnacionais” e mantêm endereço em mais de um lugar. No início dos anos 1980, israelenses e taiwaneses que se formaram no Vale do Silício retornaram a seus países e começaram a transferir o modelo norte-americano de investimento de risco em empresas nascentes. Eles tinham experiência técnica, conhecimento em modelos de negócio e redes de contato – que se somaram à vantagem de conhecer a cultura desses mercados.

Israel tornou-se conhecido por criar empresas de software e de internet. Taiwan tornou-se um centro de produção de computadores pessoais e de circuitos integrados. Não por acaso, esse processo foi mais rápido em países pequenos do que em economias mais complexas, como as da China e da Índia. Contudo, segundo a pesquisadora, a partir de 2004 fundos de venture capital e private equity começaram a investir mais de US$ 1 bilhão anualmente em empresas localizadas nos dois grandes países emergentes. “Embora seja apenas uma fração do capital de risco investido anualmente nos EUA, isso fomenta o empreendedorismo local e vem criando uma trajetória competitiva para empresas domésticas e corporações multinacionais”, diz a professora.

Pesquisa Fapesp Online

2 Outubro, 2008

Imigrantes: proposta a instituição da cidadania global, 26/08/08

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Oriundi, 26/08/08:

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Imigrantes: proposta a instituição da cidadania global

Seminário Globalização, Migração Internacional e Desenvolvimento, promovido pelo Club de Madrid, propôs o estabelecimento de uma cidadania global.

220 milhões de homens e mulheres (3% da população mundial)  vivem em outros países que não os seus de origem; 11,5 milhões de refugiados e 815 milhões de emigrantes potenciais. A partir desses números, e da constatação de que, de uma maneira geral, os imigrantes vivem em uma condição de cidadãos de segunda classe, o Seminário Globalização, Migração Internacional e Desenvolvimento, promovido pelo Club de Madrid, organismo que reúne mais de 60 ex-chefes de governo, realizado na última semana em Santander, na Espanha, fez uma recomendação taxativa: a partir do conceito que concebe a cidadania baseada na residência e não na nacionalidade, propôs a instituição da cidadania global.

Apesar de manifestações como a do Conselheiro de Economia da Cantabria, Ángel Agudo, de que os países europeus vão continuar necessitando dos emigrantes para manter o estado de bem-estar social; ou como a do comissário da Acnur, entidade da ONU que trata dos refugiados, Jeff Crisp, segundo a qual vivencia-se uma dupla hipocrisia por parte dos países de onde saem os emigrantes – que garantem que não desejam que eles saiam – e dos países receptores – que cada vez mais adotam políticas restritivas para o ingresso de imigrantes, mas precisam de sua mão-de-obra – a recomendação tem uma forte carga de utopia.

Afinal, para além das questões mais diretamente relacionadas às políticas que vêm sendo adotadas atualmente para tratar desse processo, há implicações atavicamente vinculadas a interesses seculares, que remontam aos interesses  político-econômicos  que motivaram a criação dos Estados nacionais, quase invariavelmente escondidos por detrás de mantos simbólicos de odes e valores relacionados ao patriotismo, aos limites, às fronteiras, à caracterização do diferente sempre realçada pelo paradigma da etnia.

Durante o encontro de Santander, houve quem afirmasse que o tratamento das migrações é a parte mais atrasada do processo de globalização. Pesquisas demonstraram que, se houvesse um incremento de 3% no número de imigrantes nos países do primeiro mundo, a economia teria um empuxo  da ordem de US$ 300 bilhões.  Uma pergunta com resposta avassaladora: o que seria dos EUA se todos imigrantes clandestinos fossem mandados embora? Não há dúvida que a economia do país teria um baque de difícil recuperação.

Então porque vicejam as medidas anti-imigratórias, como a diretiva de retorno recentemente adotada pela União Européia? Não existe uma resposta simples e unidirecional. Mas, entre outros aspectos, é preciso ter em conta o discurso político que precisa permanentemente identificar um bode expiatório para as mazelas  sociais e econômicas que a burocracia governante insiste em não resolver. É uma história mais ou menos parecida com aquela de encontrar um inimigo no exterior, provocar uma guerra, e camuflar os problemas internos.

Mas o problema vai mais além. Na Europa, a maioria dos imigrantes é absolutamente despreparada, sem qualificação e sem condições de exercer funções mais relevantes na estrutura econômica. Além disso, uma grande parcela dos que por lá aportam não querem efetivamente dedicar-se a um trabalho sistemático. Preferem entupir as ruas e praças, vendendo quinquilharias, prostituindo-se e vivendo à margem. Mas aí também entra um componente discriminatório da própria população local.

Enfim, um problema quase tão antigo quanto a civilização. Mas que é bonito pensar como  um poeta norte-americano, citado pelo ex-dirigente canadense Kim Campell, ah isso é:

O que é o lar? É o lugar ao qual, quando a ele vou, eles têm que me deixar entrar.

21 Setembro, 2008

Call for abstracts of papers related to the theme ‘Is humanitarianism compatible with refugee rights’

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Call for abstracts of papers related to the theme ‘Is humanitarianism compatible with refugee rights’

Panel at the World Conference of Humanitarian Studies
4 – 8 February 2009
Groningen, The Netherlands

Dear colleagues,

We are soliciting abstracts for papers to be included in a panel entitled Is humanitarianism compatible with refugee rights? This panel will be part of the World Conference of Humanitarian Studies (www.humanitarianstudies2009.org), organised by the universities of Bochum, Groningen and Wageningen.

The panel will be convened by Prof. Dr. Barbara Harrell-Bond and the 3R Foundation (Stichting 3R), a Dutch NGO dedicated to improving refugee rights in the global South. We welcome abstracts related to the panel’s theme as outlined below.

Submitting an abstract

Abstracts (maximum of 250 words) can be submitted through the Conference website (www.humanitarianstudies2009.org). Click through to the ‘call for papers’ section. You will be asked to create an account. Once your account is created, you can add your abstract. The panel conveners will then be able to accept or reject abstracts. Should your abstract not be sufficiently relevant to this panel’s theme, the Conference organisers will assess whether it can be included in another panel.

Deadline for submissions of abstracts is 1 October 2008.

Deadline for submission of full papers is TBD with convenors

Funding opportunities

The Conference organisers have a limited number of grants available for participants from the global South. Those in need of a grant to participate can be recommended by the panel conveners. Also, the 3R Foundation may be able to provide funding for travel or accommodation on an ad hoc basis. Please contact the conveners should you require financial support to participate.

More information

For more information, please contact Chris Mommers of the 3R Foundation at christianmommers@yahoo.co.uk

Panel outline

Is humanitarianism compatible with refugee rights?
Refugee flows in the South force international, governmental and non-governmental agencies to provide for refugees’ basic needs on very short notice and often on a massive scale. The challenge of logistical operations involved in providing accommodation, health care, water, food and other services,
has forced such agencies to become large administrative and operational bureaucratic entities. The most obvious example of this is the office of the UN High Commissioner for Refugees (UNHCR), which has argued that material assistance is complementary to – or even a precondition for – the fulfilment of its mandate to protect the rights of refugees. At the same time, the UN refugee agency has come under criticism for, what is seen by some, as prioritising assistance over rights, and thus for weakening its own mandate of protection.

More than that, however, questions have been raised whether the way in which assistance to refugees is managed and implemented, rather than just weakening protection, may actually lead to the violation of the fundamental rights of refugees. This has been particularly true for those refugees who find
themselves in UNHCR-managed camps. The panel aims to explore this inherent tension between humanitarianism and refugee rights in camp and other settings by focusing on the following questions:

- is humanitarian assistance strengthening or weakening the protection of the human rights of refugees?

- should refugee rights, such as the freedom of movement, always be respected, even when this means that it will become much more difficult to effectively provide material assistance to them?

- are there alternative scenarios in which humanitarian assistance and full respect for the human rights of refugees can co-exist?

The panel seeks to bring together academics from various disciplines, as well as practitioners who work on both sides of ‘the divide’; those who devote their lives to provide for the basic needs of refugees in the camps, and those who advocate for refugees’ rights and believe that humanitarians are
(unwittingly) violating these rights. The panel will incorporate both the organisational perspective, focusing on the operational difficulties of humanitarian agencies, and the perspectives of those refugees who are the targets of such assistance.

Kind regards,

Barbara Harrell-Bond
Chris Mommers (3R Foundation)

“Nuestras voces, nuestros derechos – por un mundo sin muros”

Arquivado em: Outros — migrepi @ 10:43 pm

“Nuestras voces, nuestros derechos – por un mundo sin muros”

III Foro Social Mundial de las Migraciones

Luiz Bassegio

Luciane Udovic

Inspirado en el lema arriba señalado y en la Carta de Principios del Foro Social Mundial, que reúne entidades y movimientos que se alinean e la lucha contra el neoliberalismo y se empeña en la construcción de una sociedad planetaria orientada a una relación fecunda entre los seres humanos con la tierra, se iniciará este 11 de septiembre, el III Foro Social Mundial de las Migraciones, en Rivas-Vaciamadrid, España.

El tema de las migraciones levanta un debate cada vez más intenso,  ora por el volumen de migrantes que no para de aumentar, ora por el monto de remesas que los inmigrantes envían a sus países de origen, ora por su carácter contradictorio, pues en muchos países los migrantes son necesarios pero indeseados. En las últimas décadas, más de 30 millones de personas emigraron dentro y fuera de América Latina y del Caribe, siendo que para países como Bolivia, El Salvador, Nicaragua y Haití los migrantes representan un 20% de su población. En 2007, los inmigrantes de esta región enviaron a sus países más de 67 mil millones de dólares.

Sin embargo, lo que más está provocando el debate es la postura de los países ricos, receptores de inmigrantes, como Europa y Estados Unidos.

Aumentan los muros, se crean legislaciones cada vez más restrictivas y criminalizadoras de los migrantes, se montan sistemas de vigilancia cada vez más sofisticados, patrullas armadas los persiguen implacablemente.

La búsqueda de mejores condiciones de vida y de trabajo se volvió un crimen. No es otro el espíritu de la Directiva de Retorno, más conocida como “Directiva de la Vergüenza” que Europa aprobó.

Se olvida Europa que el  aumento de las migraciones tiene que  ver directamente con los siglos de colonialismo impuesto a al continente americano y que continúa hoy a través de las políticas de privatización de los servicios públicos, apertura comercial y destrucción de la agricultura familiar, que provoca una extrema vulnerabilidad en las economías de los países pobres y obliga a  millones de personas a emigrar.

El documento que el  Grito de los Excluidos/as Continental lanza en este -III Foro Social Mundial de las Migraciones señala que en tiempo pasados, cuando el continente europeo era azotado por la crisis industrial del capitalismo, que dejó  en la miseria a inmensas masas de trabajadores, millones de sus hijos se vieron obligados a emigrar y fueron muy bien recibidos en los países de destino. No encontraron aquí muros, centros de internamiento, sistemas de vigilancia y persecuciones.

No fueron  criminalizados ni maltratados por ser migrantes. El Grito afirma que también que  la Directiva es un insulto contra los derechos humanos, la diversidad cultural y el diálogo intercultural; al repudiar tal directiva proponemos la ciudadanía universal, la integración de los pueblos y el acceso a los derechos, independientemente de la situación administrativa de los documentos y de los países  donde los migrantes se encuentren.

¿Serán estas las soluciones?

Como ya dijimos muchas veces, la migración es denuncia y anuncio. Denuncia de un modelo concentrador, excluyente y anuncio de otro mundo, otra política, donde además del derecho de emigrar debe haber también el derecho de no migrar, con condiciones de vida digna para permanecer  en el lugar de origen.

¿Cuándo Europa comprenderá que la solución no está en construir muros, vallas, sistema de vigilancia, patrullas, centros de internamiento, etc. ? La solución es  invertir y generar trabajo en los países de origen para que la migración sea una opción y no una decisión forzada buscando mejores condiciones de vida y de trabajo. Además de eso, los europeos deben reconocer que los inmigrantes rejuvenecen su población, crean riquezas; cuidan de sus niños y ancianos y,  sobre todo, alegran la vida de los países de destino. La solución no están en los  muros, sino en el desarrollo sostenible de los países de origen que contemple a las generaciones actuales y  futuras. (Traducción ALAI)

- Luiz Bassegio y Luciane Udovic integran la Secretaría  Continental del Grito de los Excluidos/as.

* Más información en http://movimientos.org/

12 Setembro, 2008

Relator da ONU diz que crise econômica agravará xenofobia, 12/09/08

Gazeta Online – 12/09/08

http://gazetaonline.globo.com/index.php?id=/local/minuto_a_minuto/internacional/materia.php&cd_matia=18393

Relator da ONU diz que crise econômica agravará xenofobia

O relator da ONU para os Direitos Humanos dos Migrantes, Jorge Bustamante, considera as crises econômicas como um fator que pode gerar o aumento da xenofobia, embora tenha ressaltado que a realidade dos imigrantes ilegais permanecerá a mesma.

Em uma entrevista à Agência Efe em Madri, onde presencia o 3º Fórum Social das Migrações, Bustamante afirmou que os imigrantes irregulares, “se sobreviveram deste modo, pensam que podem permanecer fazendo isso”, embora aumentassem as dificuldades que devem enfrentar.

O representante das Nações Unidas alertou, no entanto, que a insegurança econômica pode provocar um aumento da xenofobia e do sentimento antimigratório.

“A síndrome nos países de alta imigração é que os migrantes são o bode expiatório da crise, e por isso aumenta a animosidade contra eles”, defendeu.

Ele ressaltou que o “ódio em relação ao estrangeiro” é algo que já ocorreu em muitos países com conseqüências violentas, como na Alemanha, na França e na Espanha.

“Esse tipo de xenofobia não acontece por geração espontânea, mas tem motivações sociais”, apontou.

O relator das Nações Unidas assinalou que eventos como o Fórum das Migrações servirão para defender os direitos dos migrantes em um mundo “cada vez mais globalizado”.

Referindo-se à livre circulação de pessoas e ao “passaporte universal”, promovido pela secretária Nacional do Migrante do Equador, Lorena Escudero, ele disse que se trata de “uma utopia”, “um ideal”.

“Não deixaria de estar no nível do desejo, embora seja bom promover sua discussão. De fato, historicamente, o mundo foi se abrindo”, comentou.

Bustamante defendeu, no entanto, que “não se deve alimentar as falsas esperanças”, já que “não seria saudável que os imigrantes fossem aos escritórios pensado que é algo que pode ser solicitado de imediato”.

31 Agosto, 2008

Papa Bento 16 pede políticas eficazes contra a imigração ilegal, 31/08/08

Arquivado em: Outros — migrepi @ 10:45 pm
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Papa Bento 16 pede políticas eficazes contra a imigração ilegal

 

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u439791.shtml

 

colaboração para a Folha Online

 

O papa Bento 16 disse neste domingo que são necessárias respostas políticas eficazes para enfrentar o fenômeno da imigração ilegal e pediu senso de responsabilidade aos países de onde saem os imigrantes.

 

Após a reza do Ângelus em sua residência de Castelgandolfo, o papa falou do aumento da imigração irregular da África através do Mediterrâneo, travessia vista como uma esperança para fugir de situações “com freqüência insustentáveis” e que muitas vezes se “transforma em tragédia”.

 

A imigração é um fenômeno presente desde “os alvores da história da humanidade que, portanto, caracterizou desde sempre as relações entre povos e nações.”

 

“No entanto, ela acabou se transformando em uma crise que exige ao mesmo tempo nossa solidariedade e eficientes respostas políticas”, afirmou o líder católico.

 

“Sei que muitas instâncias regionais, nacionais e internacionais tratam desta questão da imigração clandestina. Quero incentivá-las a seguir adiante com sua ação meritória”, declarou.

 

Quanto aos países de origem dos imigrantes, o papa disse que “devem mostrar senso de responsabilidade”, não só porque se trata de seus concidadãos, mas também para “eliminar as causas deste fenômeno e para acabar com todas as formas de criminalidade que estão ligadas” a ele.

 

Os países europeus estão “chamados a desenvolver, de comum acordo, iniciativas e estruturas cada vez mais adequadas às necessidades dos imigrantes irregulares”, acrescentou.

 

Além disso, as pessoas que empreendem o caminho da imigração ilegal devem ser “sensibilizadas” sobre o valor da própria vida, “um bem único” que deve ser protegido “dos gravíssimos riscos aos quais se expõem na busca de uma melhora de suas condições”.

 

Bento 16 disse ainda que sentia “o profundo dever de chamar a atenção de todos sobre o problema e de pedir a generosa colaboração de indivíduos e instituições para enfrentá-lo e encontrar vias de solução”.

 

Com Efe e France Presse

26 Agosto, 2008

CNBB divulga nota de Solidariedade aos Migrantes

Arquivado em: Outros — migrepi @ 5:10 pm
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CNBB divulga nota de Solidariedade aos MigrantesOs bispos do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), reunidos desde terça-feira, 19, na sede da CNBB, em Brasília, divulgaram uma nota de Solidariedade aos Migrantes, por meio da qual manifestam preocupação com as medidas adotadas por alguns países que “ferem os princípios básicos dos direitos humanos dos migrantes e suas famílias”.

Confiram abaixo ou no (NOVO!) site da CNBB através do link

http://www.cnbb. org.br/ns/ modules/news/ article.php? storyid=36

Fraterno abraço,

Ir. Maria do Carmo S. Gonçalves, mscs

Secretária Executiva PBE

E-mail: pbe.cnbb@ccm. org.br

SOLIDARIEDADE AOS MIGRANTES

NOTA DA CNBB

Nós, bispos do Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB, vemos com apreensão e preocupação a adoção, por países para onde afluem numerosos grupos de migrantes, de medidas que ferem princípios básicos dos direitos humanos dos migrantes e suas famílias.

Sem desconsiderar a complexidade das questões que envolvem o tema, constata-se que há medidas que dão margem a sentimentos xenófobos e fortalecem a criminilização do ato de migrar. Tais medidas podem representar retrocesso no caminho de integração dos povos e da construção de uma cultura de paz. A acolhida à diversidade cultural, religiosa e social é condição fundamental para o estabelecimento da justiça e da paz.

Os movimentos migratórios são fatores de desenvolvimento humano e social. O migrante leva consigo sua força de trabalho, a riqueza da sua cultura, seus valores, sua religião. Espera por novos horizontes na terra que encontra como segunda pátria. Para o migrante “a pátria é a terra que lhe dá o pão” (Scalabrini, 1898). A busca de condições dignas de vida move, no mundo globalizado e desigual, milhões de migrantes em direção aos países mais desenvolvidos. Muitos países já não podem prescindir da contribuição dos imigrantes como mão-de-obra em áreas específicas do mercado de trabalho.

Países que atualmente restringem a entrada de migrantes são os mesmos que outrora assistiram a emigração em massa de seus cidadãos. Aqueles que no Brasil aportaram, foram acolhidos e, gradativamente, integraram-se à sociedade local, contribuindo na construção da identidade e cultura nacionais.

Os valores humanos e cristãos da solidariedade e fraternidade têm primazia sobre as leis da economia e do mercado. No contexto mundial atual, os países devem encontrar formas adequadas e justas de acolher o estrangeiro, integrando os imigrantes como protagonistas de um novo momento para humanidade. Ao mesmo tempo, os países geradores de fluxos migratórios empenhem-se em proporcionar condições dignas de vida e perspectivas de futuro aos seus cidadãos.

Repudiamos medidas que criminalizam os migrantes. Muitas vezes, o tratamento dado aos migrantes é injusto e humilhante, envolvendo detenção e prisão, perda da moradia, do emprego e dos bens, separação dos cônjuges e dos filhos. A vergonha da expulsão pode impedir até mesmo a volta à família de origem.

Manifestamos nossa solidariedade a todos os migrantes, aos brasileiros e brasileiras no exterior, e, de modo especial, aos que se encontram em situação de maior vulnerabilidade, com dificuldade de obter a documentação de permanência, vivendo e trabalhando em clima de insegurança e medo.

Apelamos aos países e à comunidade internacional que implementem medidas para cessar as guerras, superar a fome e a miséria, eliminar as desigualdades sociais, e que adotem “uma política migratória que leve em consideração os direitos das pessoas em mobilidade” (DAp 414). Diante da palavra de Jesus “Eu era estrangeiro e me receberam em sua casa” (Mt 25,35), rogamos que prevaleça a solidariedade, baseada nos princípios da dignidade da pessoa, da proteção dos direitos humanos e da fraternidade universal.

Dom Geraldo Lyrio Rocha

Arcebispo de Mariana

Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira

Arcebispo de Manaus

Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Secretário-Geral da CNBB

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