MIGREPI

23 Novembro, 2008

Nikkeis do mundo trocam informações, 02/10/08

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Tudo Bem Online, 02/10/08:

http://gambare.uol.com.br/2008/10/02/nikkeis-do-mundo-trocam-informacoes

Nikkeis do mundo trocam informações

Encontro internacional promoveu uma discussão em prol de união entre as comunidades brasileiras

por Redação Tudo Bem

Representantes nikkeis do mundo todo se reuniram na 49ª Convenção dos Nikkeis e Japoneses do Exterior, em Tokyo. Com o intuito de discutir assuntos relacionados às comunidades de ascendência nipônica espalhadas pelo mundo, a reunião anual tem buscado expandir conhecimentos e experiências adquiridas por imigrantes e nikkeis, além de estudar novas formas de difundir essas informações entre eles.

O encontro ocorreu entre 1 e 3 de outubro nos escritórios e centros de pesquisas da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão) e a emissora de TV japonesa NHK.

E como tornar o diálogo entre as dezenas de comunidades do mundo mais prático e acessível? A questão em si, bastante comentada durante a convenção, não se trata de um monstro de sete cabeças, pois a sociedade globalizada permite, por meio de diversas alternativas, que a rede de discussões seja de alcance geral.

Porém, o grande problema é a falta de organização: a ausência de um meio que possibilite a centralização de todas as informações que circulam entre os nikkeis. A partir desse pressuposto, representantes e participantes de vários países levantaram suas opiniões e expressaram suas idéias.

Centenário

As festividades e conquistas relacionadas ao centenário da imigração japonesa no Brasil não ficaram de lado e foram relatadas por Masato Ninomiya, diretor do Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior (Ciate), um dos representantes da comitiva brasileira e também moderador da mesa de discussões ocorridas no Centro de Pesquisa da JICA.

Ninomiya ressaltou que “o aprofundamento da relação entre Brasil e Japão trouxe frutos positivos: a instalação de uma companhia afiliada à Petrobrás em território japonês e a compra de aviões da frota brasileira foram grandes conquistas que se concretizaram devido a parceria bilateral.

11 Novembro, 2008

Jornal aponta brasileiros como “laboratório” para política migratória no Japão, 02/11/08

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Folha Online, 02/11/08:

Jornal aponta brasileiros como “laboratório” para política migratória no Japão

Da Folha Online

Um complexo habitacional operário chamado Homi, em Toyota, no qual cerca de 48% dos residentes são estrangeiros e que abriga diversos brasileiros de origem japonesa ganhou destaque em uma reportagem do jornal americano “The New York Times” na sua versão on-line.

Norimitsu Onishi assina a reportagem, na qual afirma que o fluxo de brasileiros no Japão continua aumentando apesar de períodos de crise desde que os dekasseguis passaram a buscar trabalho na ilha nos anos 1980.

A experiência com os brasileiros é fundamental para que o Japão possa receber melhor no futuro imigrantes que serão necessários para movimentar a economia, segundo Onishi.

Homi, construído nos anos 1970, tem uma população de 8.891 e os japoneses são 52% dos residentes.

“Para ser honesto, eu nunca imaginei que isto poderia se tornar um bairro multiétnico”, disse Toshinori Fujiwara, 69, um líder comunitário local, ao jornal americano.

Onishi afirma que a aceitação dos brasileiros é fundamental. Outros imigrantes, como os coreanos que chegaram ao país depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ainda são tratados como cidadãos de segunda classe, segundo a reportagem.

Em Homi, as placas estão sinalizadas em japonês e português, os restaurantes servem comida brasileira e há revistas brasileiras. Além disso, um supermercado japonês foi trocado por uma loja nipo-brasileira, segundo a reportagem.

Por outro lado, nem tudo é exemplo de integração. O “barulho” e o atraso dos brasileiros causam incompreensões entre os japoneses, e alguns brasileiros expressaram o sentimento de não se sentirem bem-vindos.

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New York Times, 02/11/08:

http://www.nytimes.com/2008/11/02/world/asia/02japan.html?_r=1&ref=world&oref=slogin

An Enclave of Brazilians Is Testing Insular Japan

By NORIMITSU ONISHI

TOYOTA CITY, Japan — Facing labor shortages back in 1990 but ever wary of allowing in foreigners, Japan made an exception for Japanese-Brazilians. With their Japanese roots, names and faces, these children and grandchildren of Japanese emigrants to Brazil would fit more easily in a society fiercely closed to outsiders, or so the reasoning went.

In the two decades since then, despite periodic economic downturns like the current one, the number of Japanese-Brazilian workers in Japan has kept growing. They are clustered in industrial regions dotted with factories supplying familiar companies like Honda, Sanyo and Toyota, whose headquarters gave this city in central Japan its name.

But perhaps nowhere in this country do Japanese and Japanese-Brazilians rub shoulders with such intensity as in a public housing complex here called Homi Estate. Built in the 1970s for young Japanese families, Homi has a population of 8,891 that is now nearly evenly split between Japanese, at 52 percent, and foreigners, at 48 percent.

“To be honest,” Toshinori Fujiwara, 69, a Japanese community leader, said, “I never imagined in my wildest dreams that this would ever become a multiethnic neighborhood.”

A generation from now, more Japanese are likely to be making similar comments as Japan’s population ages and its work force shrinks. Recently labor shortages have spread from factories to farms, fishing boats, hospitals and other areas, prompting Japan to open its doors to temporary workers from China and elsewhere in Asia.

As the demographic squeeze grows tighter, Japan may have to open itself further to immigration, experts say, if it is to have the workers it needs to remain a major industrial power. A homogeneous and insular nation, however, Japan is notoriously unwelcoming to immigrants; Koreans who came here during World War II are still treated as second-class citizens.

To make itself an attractive destination for immigrants, the experts say, Japan will have to undergo a difficult cultural transformation for which the Japanese-Brazilians pose an elementary test case. If even they cannot gain acceptance, what chance will there be for immigrant groups that may be ethnically, racially, religiously and nationally different from native Japanese?

Immigration is an unpopular and politically delicate topic. But the country’s 317,000 Japanese-Brazilians — whose children are growing up in Japan and, in many cases, coming of age here — effectively make up Japan’s largest immigrant population. Of the total, nearly 94,400 have acquired permanent residence, while the others can stay in Japan indefinitely. Children born in Japan of foreign parents do not automatically get citizenship.

A city within a city, Homi Estate — 40 apartment buildings, detached houses, schools and shops — looks like any other Japanese housing complex from afar. But, on closer inspection, street signs are in Japanese and Portuguese. In the community’s shopping complex, restaurants serve Brazilian dishes; a convenience store displays Brazilian magazines. A Japanese supermarket was replaced by a Japanese-Brazilian one last year, reflecting Homi’s shifting demographics.

Other differences are more subtle. Some elevators are covered with scratches, a kind of vandalism rarely seen in Japan. And parking lots contain cars retrofitted into low-riders and painted purple, while Japanese tend to stick to white or gray.

In the beginning, the Japanese did not understand why the Japanese-Brazilians played loud music, failed to sort their trash perfectly and did not seem bothered about arriving late to appointments. For the Japanese-Brazilians, their grandparents’ or parents’ often rose-tinted image of Japan seemed outdated at best, and they felt unwelcome.

“I’ve been lucky because the Japanese have been kind to me,” said Rita Okokama, 40, a Japanese-Brazilian who has been here 18 years and owns Padaria, a small sandwich shop. “But others have faced prejudice. For example, Japanese shop owners will follow around Japanese-Brazilian customers because they think they’ll shoplift.”

A decade ago, Japanese-Brazilians even clashed with Japanese right-wing groups singling out foreigners. But the situation began improving five years ago as the Japanese and the Japanese-Brazilians learned to co-exist and organized joint events, like barbecues, said Kunikazu Ihara, 65, a local ward leader. Another reason for the improvement in relations may be that Japanese unwilling to live next to Japanese-Brazilians simply moved.

“If they were surrounded by foreigners, especially those in rental apartments, some Japanese just got out,” Mr. Ihara said.

By contrast, the Japanese who stayed appeared committed to getting along.

“Japanese tend to be insular and build shells around themselves,” said Kimio Yamamoto, 71, a retired Japanese engineer who has become a familiar face at Homi’s Japanese-Brazilian-run fitness club. “And foreigners can feel that right away.”

As he worked on his pectorals, Mr. Yamamoto said the Japanese-Brazilians had immediately made him feel at home at the club. “It’s fun,” he said.

Still, most adults keep a polite distance from one another.

“Children become amigos,” said Mr. Fujiwara, the Japanese community leader, who is taking Portuguese lessons and sprinkles his Japanese with Portuguese words. “But adults, they don’t become amigos.”

At West Homi Elementary, where Japanese-Brazilian children account for 53 percent of the 196 students, supplementary Japanese language classes are offered, as well as help in other subjects. Partly as a result, Japanese-Brazilian children do not drop out, a common problem in other public schools, where foreign children are often bullied.

Because of the growing number of Japanese-Brazilian students, some Japanese parents were wary of letting their own children stay at the school. School officials tried to persuade the Japanese to keep their children here by emphasizing the positive side effects of the Japanese-Brazilian presence.

“This is no longer the era of a homogeneous people, but rather of a multiethnic society,” said Mitsuyuki Shibuya, a school official.

The new era may be symbolized by a 9-year-old Japanese-Brazilian student named Nicholas Wada, who has taken home prizes for poetry and other subjects, which his parents proudly display. His parents, João, 44, and Silvana, 40, came to Japan 18 years ago and also reared a daughter, Veridiana, 22, here.

This year they built a two-story detached house as a sign of their commitment to Japan.

“My son has no image at all of Brazil, so we built this house for him,” Ms. Wada said in the couple’s living room. “Nicholas says he doesn’t want to go to Brazil.”

“He thinks in Japanese,” Mr. Wada, a truck driver, added.

Like most Japanese-Brazilians — indeed, like almost all immigrants throughout the world — the Wadas arrived here intending to stay only two or three years. “Even if you ask us now, we’ll say we’re going back in two to three years,” Ms. Wada said.

Uncertain about how long they will stay in Japan, many Japanese-Brazilians send their children to private Portuguese-language schools or keep them out of school altogether. Going to school is not compulsory for foreigners.

Of the nearly 33,500 Japanese-Brazilian children in Japan between 5 and 14 years old, the ages of compulsory education, about 10,000 are in Japanese schools receiving remedial Japanese lessons, according to government figures. Most of the rest are likely in Portuguese-language schools or not attending school.

Children who do not attend Japanese schools tend to become isolated from

Japanese society, said Kiyoe Ito, the chairwoman of Torcida, a private organization that teaches Japanese to Japanese-Brazilian children in Homi. Even if they intend to move to Brazil, their understanding of that country is also limited.

One boy studying Japanese at Torcida one recent morning was Bruno Da Costa, 15, whose Japanese maternal grandparents had emigrated to Brazil. With his parents, Bruno had moved to Japan at the age of 1, but he was unable to express himself in Japanese. He said he understood most of his favorite cartoon on television, “Naruto,” but movies were beyond his comprehension.

“I feel Brazilian because I went to a Portuguese school,” Bruno said. “If I’d gone to a Japanese school, maybe I’d feel differently. But Japan is also my country; I grew up here. Brazil, I think, is a dangerous country. I mean, I’d feel afraid to carry around an iPod or wear a designer T-shirt over there. Japan’s safe.”

Around 5 p.m. on weekdays, buses from nearby factories drop off day-shift workers at Homi and pick up the night-shift crew. Most of the Japanese-Brazilians earn around $12 an hour and work at suppliers to Toyota.

The company Tokai Rika, a seat-belt maker, started by hiring 8 Japanese-Brazilian workers in 1995 and now has 280, or almost a quarter of its factory work force here. In the past year, the company made changes — including offering the foreign workers longer contracts and hiring a Japanese-Brazilian chef in its cafeteria — to retain Japanese-Brazilians who might be lured away by better-paying competitors.

“To be honest, they work more faithfully than Japanese workers,” Hiroaki Ito, a general manager, said, repeating a common complaint among businesses that young Japanese lacked the work ethic of older Japanese and tended to quit easily.

Kouji Buma, the manager of the factory, said simply, “If we consider the future, we just won’t be able to operate this factory without Japanese-Brazilians.”

Tokai Rika officials did not venture an opinion on the country’s immigration policies. But some of Homi’s residents did.

Hiroko Arakawa, 52, a Japanese homemaker who was buying meat at the Japanese-Brazilian supermarket, said her son, now in junior high school, had had Japanese-Brazilian friends since elementary school. And she had enjoyed getting to know the friends’ parents.

Japan should open itself up to immigrants and give them full access to society, she said.

“They become sick and need health insurance just like Japanese,” she said. “If we do right by them, they won’t want to leave.”

4 Setembro, 2008

Japanese skills training for Lankan job seekers, 27/08/08

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Daily News (Sri Lanka), 27/08/08:

http://www.dailynews.lk/2008/08/27/news19.asp

Japanese skills training for Lankan job seekers

Rasika Somarathna

COLOMBO: Japan is expected to open up new vistas for prospective Lankan labour migrants by providing skills training in a variety of sectors to prepare them for future employment.

A high level delegation from the Japanese Industrial Training Corporation (JITCO) is expected in the country today to discuss with officials including Foreign Employment and Welfare Minister Keheliya Rambukwella.

According to sources at the Sri Lanka Bureau for Foreign Employment, Japan is expected to grant training opportunities for 1,000 Lankans every year, mainly in the mechanical and construction fields.

According to SLBFE Chairman Kingsley Ranawaka even though there is a high demand for skilled Lankan labour in the international market, authorities face difficulties in meeting the required numbers due to the dearth of manpower in the country. The latest initiative is expected to fill the vacuum to some extent by producing skilled labour armed with the latest international requirements.

SLBFE sources added that the JITCO delegation would hold talks with 10 private migrant labour recruitment agencies who have been given authority by the Bureau for providing migrant labour requirements to Japan.

According to Ranawaka, the Bureau is on the look out for all viable opportunities in the international labour market with emphasis on skilled manpower which would earn higher wages and perks.

The SLBFE recently has taken a number of steps to discourage the common practice of sending abroad unskilled domestic workers and to encourage skilled migrant labour for higher wages.

The Government recently signed MOUs with several countries regarding migrant worker rights, welfare and employment opportunities to strengthen matters pertaining to migrant labour.

Authorities signed MOUs with UAE, Jordan, Libya, Bahrain, Korea and Kuwait seeking better protocol on issues related to Sri Lankan migrant workers. Sri Lanka also plans to enter similar MOUs with Saudi Arabia, Malaysia and Japan in the future.

According to latest statistics the Sri Lankan migrant worker fraternity is considered to be in the excess of 1.6 million with another 220,000 (average) new recruits joining the force annually.

Cidadania japonesa para mais imigrantes, 28/07/08

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Tudo Bem, 28/07/08:

http://tudobem.uol.com.br/2008/07/28/cidadania-japonesa-para-mais-imigrantes/

Cidadania japonesa para mais imigrantes

Visto de longa permanência seria de cinco anos

Redação Tudo Bem

Possíveis mudanças na lei imigratória podem tornar mais fácil a vida do estrangeiro no Japão. O governo está analisando um projeto do PLD (Partido Liberal Democrático) que, se endossado, pretende conceder a cidadania japonesa a mais estrangeiros e desburocratizar o processo para quem já possui o visto permanente. Os filhos de brasileiros com esse tipo de visto também ganhariam o direito de serem japoneses, o que não ocorre hoje.

Outra mudança que foi sugerida no projeto estabelece o prazo de estadia para até cinco anos aos portadores do visto de longa permanência. Além disso, o período de validade do reentry seria estendido para dez anos, acabando com a burocracia de ir aos escritórios da Imigração com freqüência.

Outro importante ponto é garantir a cidadania para crianças cujo pai ou mãe seja japonesa, independentemente do estado civil ou do reconhecimento da paterninidade ou maternidade.

Falta de estudantes de engenharia faz Japão recorrer a estrangeiros, 25/06/08

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Blog Controvérsia, 25/06/08:

http://blog.controversia.com.br/2008/06/25/falta-de-estudantes-de-engenharia-faz-japao-recorrer-a-estrangeiros/

Falta de estudantes de engenharia faz Japão recorrer a estrangeiros

Martin Fackler

O Japão está ficando sem engenheiros. Após passar anos preocupado com uma futura carência de engenheiros, o país está de fato se deparando com a realidade de que um número decrescente de jovens ingressa nas áreas de engenharia e tecnologia. As universidades chamam o fenômeno de “rikei banare”, ou “fuga da ciência”. O declínio está se tornando tão drástico que as indústrias passaram a fazer campanhas de publicidade cujo objetivo é transmitir a impressão de que a engenharia é “sexy e legal”, e as companhias estão começando lentamente a importar trabalhadores estrangeiros, ou a enviar empregos para onde os engenheiros estão, no Vietnã e na Índia.

Foi o talento na engenharia que fez com que esta nação superasse a derrota do pós-guerra e se tornasse uma superpotência. Mas, segundo educadores, executivos e os próprios jovens japoneses, a juventude daqui está se comportando mais como os norte-americanos: escolhendo áreas que pagam melhor, como a de medicina e finanças, ou carreiras puramente criativas, como as artes, em vez de seguir o exemplo dos seus pais, que eram assalariados no mundo sem brilho das indústrias.

O problema não pegou o Japão de surpresa. Os primeiros sinais de declínio de interesse entre os jovens pela ciência e a engenharia surgiram quase duas décadas atrás, depois que o Japão atingiu padrões de vida de primeiro mundo, e nos últimos anos houve um forte declínio do número de estudantes de ciências e engenharia. Mas só agora as companhias japonesas estão começando a sentir o impacto real disto.

Segundo uma estimativa do Ministério dos Assuntos Internos, a indústria de tecnologia digital daqui já enfrenta a falta de quase meio milhão de engenheiros.

Caçadores de profissionais passaram a tentar seduzir engenheiros que estão na metade da carreira com bônus polpudos, uma prática predatória anteriormente desconhecida na versão mais gentil de capitalismo praticada no Japão.

Os problemas tendem a piorar porque o Japão tem uma das menores taxas de natalidade do mundo. “O Japão está sentado sobre uma bomba-relógio demográfica”, alerta Kazuhiro Asakawa, um professor de negócios da Universidade Keio. “Haverá uma explosão. Todos vêem que ela está se aproximando, mas ninguém toma medidas suficientes para evitar isso”.

A falta de engenheiros está provocando ansiedade crescente quanto à competitividade do Japão. A China forma cerca de 400 mil engenheiros por ano, esperando um dia usurpar o lugar do Japão de maior potência econômica asiática.

Temendo um esvaziamento de suas orgulhosas indústrias de tecnologia, o Japão está lutando para estimular mais os seus jovens cidadãos a retornarem às ciências e à engenharia. Mas os especialistas no mercado de trabalho afirmam que estas medidas tardias são limitadas e dificilmente resolverão o problema.

Enquanto isso, o país começou lentamente a aceitar mais engenheiros estrangeiros, mas a quantidade está longe de atender às necessidades das indústrias.

Embora uma xenofobia entranhada seja um dos fatores responsáveis por isso, as companhias dizem que a língua e a cultura corporativa fechada do Japão também criam barreiras tão grandes que muitos engenheiros estrangeiros simplesmente recusam-se a vir para cá, mesmo quando são especificamente recrutados.

Como resultado, algumas companhias estão deslocando a busca de empregos para a Índia e o Vietnã, já que segundo elas isto é mais fácil do que trazer trabalhadores não japoneses para cá.

O maior problema do Japão pode ser o comportamento gerado pela afluência do país. Alguns jovens japoneses, produtos de uma sociedade rica, e que não estão familiarizados com as dificuldades do pós-guerra que os seus pais e avós conheceram, não enxergam nenhum valor em se escravizarem a planos e números quando podem ganhar dinheiro, ter mais contatos com outras pessoas ou se divertir mais.

Desde 1999, o número de estudantes de curso superior formados em ciências e engenharia caiu 10%, para 503.026, de acordo com o Ministério da Educação (apenas 1,1% desses estudantes eram estrangeiros). A quantidade de estudantes que se formam em artes criativas e na área de saúde aumentou neste período.

As inscrições para o programa de engenharia da Universidade Utsunomiya, que fica uma hora ao norte de Tóquio, diminuíram em um terço desde 1999.

Desde o ano passado a universidade vem tentando atrair estudantes com a inclusão de aulas práticas no seu currículo altamente teórico. Uma dessas novidades é uma disciplina que ensina os alunos a fabricar lentes de câmeras, oferecida em parceria com a Canon, e que atraiu 70 alunos, o dobro do esperado, afirma Toyohiko Yatagai, diretor do centro de pesquisas óticas da universidade.

Mas os alunos de engenharia vêem a si próprios como uma espécie em extinção.

Masafumi Hikita, 24, aluno do último ano de engenharia elétrica, diz que a maioria dos seus ex-colegas do segundo grau escolheu a área de economia com o objetivo de obter “dinheiro mais fácil” nos setores bancário e financeiro. De fato, amigos e vizinhos ficaram surpresos com o fato de ele ter escolhido uma área como a engenharia, que tem a reputação de exigir longas horas de estudo.

Hikita e outros estudantes de engenharia dizem que a redução de alunos na sua área traz um benefício: eles tornaram-se um produto cobiçado pelos recrutadores das corporações. Uma pesquisa feita no ano passado pelo Ministério do Trabalho revelou que havia 4,5 vagas no mercado de trabalho para cada formando especializado em áreas como máquinas eletrônicas.

“Não precisamos encontrar empregos”, afirma Kenta Yaegashi, um outro aluno do último ano de engenharia elétrica. “Eles nos encontram”.

Ele diz que o seu pai, também engenheiro, tem inveja do atual mercado, que é muito diferente do campo saturado que ele enfrentou há 30 anos.

Até mesmo as principais empresas, que costumavam ser procuradas pelas universidades de elite, agora precisam cortejar o talento. Isso significa que as companhias precisam adaptar as suas campanhas de recrutamento devido à mudança das atitudes sociais. 

Assim, a Nissan diz aos estudantes que nela eles podem subir na carreira mais rapidamente do que nas companhias japonesas mais tradicionais. A fabricante de automóveis enfatiza que oferece promoções mais rápidas, maiores aumentos salariais e até mesmo “técnicos de carreira” para ajudar os jovens talentos a ascenderem na estrutura corporativa.

“Os estudantes de hoje são mais exigentes e individualistas, como os ocidentais”, diz Hitoshi Kawaguchi, vice-presidente de recursos humanos da Nissan.

Recorrendo a práticas mais informais, uma campanha de publicidade da indústria siderúrgica mostra um guitarrista cabeludo de calças de spandex gritando, “Metal rocks!”.

Uma fonte que o Japão ainda não explorou integralmente são os trabalhadores estrangeiros – ao contrário do Vale do Silício, que está repleto de especialistas em tecnologia da informação de nações em desenvolvimento como Índia e China.

Segundo estatísticas governamentais, em 2006 o Japão contava com 157.719 estrangeiros trabalhando em profissões altamente qualificadas, o dobro da quantidade de uma década atrás, mas ainda muito longe dos 7,8 milhões de profissionais de alta qualificação que trabalham nos Estados Unidos. O Reino Unido também tem recrutado agressivamente engenheiros estrangeiros, assim como Cingapura e a Coréia do Sul.

“O Japão está perdendo no mercado global no que se refere à quantidade de engenheiros talentosos na área de tecnologia de informação”, afirma Anthony D’Costa, professor da Escola de Negócios de Copenhague, que estudou a migração de engenheiros indianos.

As companhias estão se empenhando para modificar as suas táticas.

Por exemplo, Kizou Tagomori, diretor de recrutamento da Fujitsu, diz que a fabricante de computadores e as suas afiliadas ficam rotineiramente 10% aquém das suas metas anuais de contratação de 2.000 novos funcionários. Temendo uma carência crônica de trabalhadores, a companhia começou a recrutar estrangeiros para trabalhar no Japão.

Desde 2003, a Fujitsu passou a contratar cerca de 30 estrangeiros por ano. A maioria consiste de outros asiáticos formados em universidades japonesas. Inicialmente, vários gerentes relutaram em aceitar os estrangeiros. Mas Tagomori diz que eles estão ganhando aceitação.

Segundo Tagomori, os dez funcionários indianos da Fujitsu no Japão conquistaram alguns dos seus colegas de trabalho ao organizarem um time de cricket.

Mas a Fujitsu ainda é uma exceção. De acordo com uma pesquisa feita no ano passado pelo Ministério da Economia, 79% das companhias japonesas afirmam que ou não pretendem contratar engenheiros estrangeiros ou estão indecisas quanto a isso. O ministério disse que a maioria dos gerentes japoneses ainda teme que os estrangeiros não consigam adaptar-se à língua e à cultura corporativa japonesas.

Para combater essas atitudes, o ministério lançou o Fundo Asiático de Talentos, uma iniciativa de US$ 30 milhões para oferecer aos estudantes asiáticos treinamento em língua japonesa e estágios a fim de ajudá-los a encontrar trabalho aqui.

“Caso esses estudantes saiam-se bem, eles poderão modificar drasticamente a atitude japonesa”, afirma Go Takizawa, vice-diretor da divisão de políticas de recursos humanos do ministério.

Porém, os especialistas no mercado de trabalho advertem que o Japão pode estar fazendo muito pouco e muito tarde. Eles dizem que o país já ganhou uma reputação negativa de discriminar funcionários estrangeiros, por causa das poucas garantias empregatícias e critérios tendenciosos para a ascensão funcional. Os especialistas afirmam que os indianos e outros engenheiros optam com freqüência por mercados mais abertos como os Estados Unidos.

Uma quantidade cada vez maior de companhias japonesas está tendo mais sucesso com a construção de novos centros de pesquisa e desenvolvimento em países que têm excesso de engenheiros. A Toyo Engineering, que projeta fábricas de produtos químicos, diz que ela e a suas associadas atualmente empregam mais engenheiros no exterior – 3.000, a maioria na Índia, na Tailândia e na Malásia – do que no Japão, onde a empresa conta com 2.500 trabalhadores.

Com o Japão corporativo ainda relutando em aceitar estrangeiros, meia-dúzia de companhias passaram a contratar engenheiros chineses e sul-coreanos para trabalharem temporariamente em companhias japonesas.

Uma das maiores é a Altech, que criou centros de treinamento em duas universidades chinesas para recrutar estudantes de engenharia e treiná-los no idioma e nos costumes empresariais japoneses. Dos cerca de 2.400 engenheiros da Altech, 138 são chineses, e a companhia pretende contratar mais cerca de 200 por ano.

Uma das primeiras contratadas foi He Xifen, uma engenheira mecânica de 27 anos da Universidade de Ciência e Tecnologia Qingdao, que ingressou na Altec há dois anos e meio. Ela diz que as amigas na China a invejam porque ela trabalha com tecnologia japonesa avançada, e ganha três ou quatro vezes mais do que ganharia no seu país. Xifen conta que, embora os clientes japoneses no princípio tivessem demonstrado incerteza sobre como lidar com os estrangeiros, eles logo se adaptaram e ela geralmente sente que é bem-vinda.

“Os engenheiros estrangeiros estão passando a ser aceitos”, diz Shigetaka Wako, porta-voz da Altech. “Lentamente, o Japão está percebendo que a sua economia não poderá continuar sem esses engenheiros”.

“The New York Times”

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