MIGREPI

20 Outubro, 2008

ONU aponta fuga de paquistaneses para o Afeganistão , 29/09/08

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BBC Brasil, 29/09/08:

ONU aponta fuga de paquistaneses para o Afeganistão

A agência de refugiados da ONU disse nesta segunda-feira que 20 mil pessoas fugiram da região tribal de Bajaur, no Paquistão, para buscar refúgio no Afeganistão em meio a combates entre tropas e militantes na área.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) afirma que quase 4 mil famílias entraram na província de Kunar, no Afeganistão.

Outros cerca de 300 mil foram forçados a abandonar suas casas por causa dos confrontos, embora o Paquistão diga que muitos conseguiram refúgio na própria região.

Militares paquistaneses lançaram uma ofensiva em Bajaur e dizem ter matado mais de 2 mil militantes.

Direção oposta

A agência de refugiados da ONU diz que a maioria dos que fugiram retornará para casa assim que os confrontos na região terminarem.

Segundo a agência, cerca de 70% das famílias são do Paquistão, mas o resto é formado por afegãos que viviam no país. No passado, refugiados afegãos cruzaram a fronteira na direção oposta.

Cerca de 4 milhões de afegãos fugiram da violência e foram procurar refúgio no Paquistão nas décadas de 80 e 90, mas mais da metade já voltou ao país de origem.

Recentemente, a agência pediu doações de mais de US$ 17 milhões para ajudar cerca de 250 mil pessoas desalojadas pelos confrontos e por inundações no noroeste do Paquisão.

Segundo a entidade, o dinheiro era necessário para a compra de barracas, cobertores e outros materiais.

Ataques

Tentativas do governo paquistanês de negociar com os militantes nas áreas fronteiriças com o Afeganistão parecem ter fracassado, de acordo com correspondentes da BBC na região.

O Paquistão sofreu uma série de ataques suicidas atribuídos a grupo militantes – incluindo um grande atentado neste mês que deixou mais de 50 mortos no hotel Marriott em Islamabad.

Militantes usam as áreas tribais como base para operações no Paquistão e do outro lado da fronteira, no Afeganistão.

Acredita-se que o Talebã e a Al-Qaeda estariam operando na região após terem sido forçados para fora do Afeganistão.

A presença dos grupos radicais nas regiões fronteiriças resultou em ataques americanos dentro do Paquistão.

Os ataques irritaram o governo paquistanês e, como resultado, houve incidentes na fronteira em que tropas paquistanesas atiraram contra helicópteros americanos por uma suposta violação de espaço aéreo.

7 Setembro, 2008

Vuelven más de 200 mil refugiados de Pakistán a Afganistán en 2008, 05/08/08

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El Universal, 05/08/08:

http://www.eluniversal.com.mx/notas/527644.html

Vuelven más de 200 mil refugiados de Pakistán a Afganistán en 2008

El 65 por ciento de los refugiados residían en centros urbanos, mientras que el resto se alojaba en áreas rurales

EFE
El Universal
Kabul

Más de 200 mil refugiados afganos que se encontraban en suelo paquistaní han vuelto a su país en lo que va de año, informó hoy la Alta Comisaría de las Naciones Unidas para los Refugiados (ACNUR).

En un comunicado, el ACNUR explicó que, de los 202 mil 774 refugiados que han regresado a Afganistán, 173 mil 910 provenían de la conflictiva Provincia de la Frontera del Noroeste (NWFP), 13 mil 200 de la oriental de Punjab, 12 mil de la región suroccidental de Baluchistán y tres mil 729 de Sindh, en el sureste de Pakistán.

El 65 por ciento de los refugiados residían en centros urbanos, mientras que el resto se alojaba en áreas rurales.

Según la nota, con las repatriaciones de este año son ya 3.4 millones de afganos los que han sido repatriados desde 2002 en el marco del programa de “retorno voluntario” que está llevando a cabo la ACNUR en colaboración con los Ejecutivos afgano y paquistaní.

Otros 1.8 millones de afganos están aún registrados como refugiados en Pakistán.

Además, dentro de Afganistán hay otras 180 mil personas desplazadas a causa de la guerra o la sequía, de acuerdo con datos de la ACNUR.

El proceso de repatriación desde Pakistán no ha estado exento de trabas, como cuando el pasado mes de abril el Gobierno paquistaní amenazó con cerrar un campo de refugiados con 70.000 personas en el noroeste del país y la ACNUR tuvo que intervenir para que lo retrasara.

El desalojo de este campo no pudo tener lugar a tiempo a causa de los enfrentamientos tribales registrados en la región.

Tras la invasión soviética de Afganistán en 1979, millones de afganos se cobijaron en territorio paquistaní e iraní para huir de la guerra.

Inteligência dos EUA diz que Paquistão está atraindo mais insurgentes estrangeiros, 10/07/08

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New York Times, 10/07/08:

Inteligência dos EUA diz que Paquistão está atraindo mais insurgentes estrangeiros

Eric Schmitt

Em Washington

Oficiais militares e de inteligência dos Estados Unidos dizem que nos últimos meses houve um aumento do número de combatentes estrangeiros que viajaram para as áreas tribais do Paquistão a fim de se juntarem aos militantes que nelas se encontram.

De acordo com os oficiais, esse fluxo pode ser o reflexo de uma mudança que está transformando o Paquistão, e não o Iraque, no destino preferido de alguns extremistas sunitas do Oriente Médio, do Norte da África e da Ásia Central que procuram pegar em armas para combater o Ocidente.

Essa movimentação, que pode envolver dezenas de militantes ou mais, revela um fortalecimento da posição das forças da Al Qaeda nas áreas tribais, cada vez mais vistas como uma base importante de apoio ao Taleban, cujas forças no Afeganistão tornaram-se mais agressivas na sua campanha contra as tropas lideradas pelos norte-americanos.

Segundo os oficiais dos Estados Unidos, muitos dos combatentes que se dirigem para as áreas tribais são uzbeques, indivíduos de países do norte da África e árabes dos Estados do Golfo Pérsico. Os oficiais de inteligência norte-americanos afirmam que alguns websites de jihadistas têm encorajado os militantes estrangeiros a seguirem para o Paquistão e o Afeganistão, que é considerado uma “luta que está sendo vencida” quando comparada à insurgência no Iraque, que sofreu grandes revezes nos últimos meses. O número de combatentes estrangeiros que entram no Iraque caiu de 110 por mês, há um ano, para os menos de 40 registrados atualmente, segundo informou na quarta-feira (9) um porta-voz das forças armadas em Bagdá.

“Atualmente a característica de refúgio das áreas tribais do Paquistão e da Província Fronteiriça do Noroeste preocupa mais do que antes”, afirmou em uma entrevista por telefone o general David D. McKiernan, o novo comandante da Organização do Tratado do Atlântico Norte no Afeganistão. “As bordas porosas proporcionam aos grupos militantes insurgentes uma maior liberdade de movimentação pela fronteira, e mais condições para se reabastecerem, além de permitirem que as suas lideranças mantenham abrigos mais fortes e forneçam combatentes capazes de cruzar a fronteira”.

O ataque suicida a bomba nos portões da Embaixada da Índia em Cabul na última segunda-feira reforça o temor cada vez maior das autoridades norte-americanas e afegãs de que os insurgentes do Taleban estejam atuando em conjunto com agentes operacionais de inteligência paquistaneses que podem ter utilizado o atentado para dar continuidade à longa luta entre Paquistão e Índia.

A Al Qaeda e outros grupos militantes têm usado redutos nas acidentadas montanhas do Paquistão como refúgios nos últimos anos. Mas especialmente desde que o novo governo paquistanês reduziu drasticamente as operações de segurança nas áreas tribais em março, e começou a negociar com os líderes tribais para que estes contenham os militantes, o número de combatentes estrangeiros ingressando nas áreas tribais passou “de um conta-gotas a uma correnteza”, afirmou uma autoridade do Departamento de Defesa que acompanha de perto a situação no Paquistão, e que pediu que o seu nome não fosse divulgado devido à natureza sensível da informação.

Alguns dos combatentes estrangeiros embarcam em vôos comerciais para o Paquistão e chegam às áreas tribais de carro ou de ônibus, embora um número menor e indeterminado esteja chegando por terra, passando pelo Irã e, a seguir, pelo Baluquistão, afirmou a autoridade do Departamento de Defesa. “Atualmente há mais combatentes que não falam a língua pashtum do que havia neste mesmo período no ano passado”, disse McKiernan.

Porém, alguns oficiais de inteligência dos Estados Unidos observam que esse aumento é ainda relativamente pequeno, talvez na casa de algumas dezenas – analistas militares e independentes calculam que entre 150 e 500 combatentes do núcleo da Al Qaeda estejam operando na área tribal – e que a Al Qaeda ainda está recrutando combatentes e homens-bomba tanto no Afeganistão quanto no Iraque.

Com o número de ataques no leste do Afeganistão 40% maior do que um ano atrás, autoridades graduadas do governo Bush têm expressado uma preocupação cada vez maior quanto ao poderio crescente dos militantes que utilizam refúgios no Paquistão.

“A capacidade do Taleban e de outros insurgentes de cruzar a fronteira sem sofrer pressão do lado paquistanês é sem dúvida nenhuma um motivo para preocupação”, disse há duas semanas o secretário da Defesa, Robert M. Gates, em um dos seus comentários mais específicos até o momento sobre a situação. “Aquela é a área que precisa ser discutida com o governo do Paquistão”.

Segundo as autoridades, o governo Bush está procurando trabalhar com os governos afegão e paquistanês a fim de encontrar uma combinação efetiva de instrumentos políticos, diplomáticos e militares para ajudar a conter a insurgência cada vez mais enraizada, mas Washington tem deparado-se com dificuldades para lidar com o novo governo de coalizão do Paquistão.

“Estamos tentando mostrar aos paquistaneses como a situação está feia”, disse uma autoridade graduada do governo norte-americano, que só deu entrevista sob a condição de que o seu nome não fosse divulgado, devido a questões sensíveis de ordem diplomática. “Antes podíamos recorrer a Musharraf. Mas agora trata-se mais de um acordo para divisão de poder, e a situação ficou mais difícil. Não há nenhuma solução aparente à vista. Ao que parece, os próximos seis meses serão bem parecidos com os seis meses anteriores”.

Quatro oficiais militares de alta patente afirmaram que a Al Qaeda está fortalecendo os seus vínculos operacionais cada vez mais estreitos nas áreas tribais com o Taleban e diversos outros grupos militantes – financiando, treinando recrutas e facilitando ataques realizados no Afeganistão, embora ela própria não necessariamente desfeche tais ataques.

No Paquistão, as forças do Tehrik-e-Taleban do Paquistão, um grupo vinculado ao Taleban, são mais proeminentes entre os militantes. O grupo é liderado por Baitullah Mehsud, que é acusado pelo governo paquistanês de ser o responsável pelo assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em dezembro passado, e de orquestrar diversos ataques suicidas à bomba dos dois lados da fronteira.

Mehsud, que emergiu de uma quase obscuridade para tornar-se um poderoso aliado da Al Qaeda, realizou ousadamente em maio uma entrevista coletiva à imprensa na sua base, no Waziristão do Sul, para anunciar que ampliaria a sua luta contra as forças armadas dos Estados Unidos do outro lado da fronteira, onde o grupo possui vínculos estreitos com as forças do Taleban.

As opções norte-americanas militares e paramilitares de ataques dentro das áreas tribais são limitadas. A CIA conta com aeronaves Predator, pilotadas por controle remoto e armadas, prontas para agir caso insurgentes importantes sejam localizados. Mas uma ordem do Pentágono autorizando uma campanha cada vez mais intensa por parte das forças de Operações Especiais nas áreas tribais continua sendo examinada por autoridades graduadas do governo.

Nos últimos dias o Pentágono deslocou o porta-aviões Abraham Lincoln do Golfo Pérsico para o Mar Arábico, reduzindo o tempo que os mais de quarenta aviões de ataque FA-18 Hornet e Super Hornet precisam voar para apoiar o combate no Afeganistão.

O novo assessor de Segurança Interna do presidente Bush, Kenneth L. Wainstein, viajou para a Arábia Saudita, Iêmen, Qatar e Kuait no mês passado, e pediu aos líderes desses países que ajudem a reprimir grupos e indivíduos que estejam financiando ou fornecendo combatentes à insurgência nas áreas tribais do Paquistão. “Temos percebido que financiamento e recrutas dos países do Golfo Pérsico seguem para as áreas tribais”, disse Wainstein em uma entrevista.

Os sauditas, em particular, comprometeram-se a continuar aumentando os seus esforços no sentido de impedir o financiamento e a ajuda a terroristas dentro do país, disse um porta-voz de Wainstein em uma mensagem de e-mail.

“Admitimos que não temos feito muito progresso nos últimos seis meses”, disse a autoridade do governo. “Não existe um cronograma real para novas iniciativas. O que podemos fazer é tomar algumas iniciativas para o novo governo, a fim de proporcionar a ele possíveis opções”.

Segundo a autoridade, essas opções incluem a continuidade do apoio ao comandante do exército paquistanês, general Ashfaq Parvez Kayani, que no final do mês passado recebeu autorização do novo governo civil para usar a força nas áreas tribais e na Província da Fronteira do Noroeste quando houver disponibilidade de “inteligência verificável”.

Várias autoridades norte-americanas manifestaram grande irritação com o fato de pequenos grupos da força militar Corporações da Fronteira, do exército paquistanês e da principal agência paquistanesa de inteligência militar – a Inteligência Inter-Serviços, conhecida como ISI – estarem fazendo vistas grossas para os ataques desfechados pelos militantes através da fronteira. Isso se estes grupos não estiverem apoiando diretamente os militantes.

“Neste momento, os paquistaneses não sabem como usar os líderes tribais, as forças paramilitares das Corporações de Fronteira e o exército paquistanês para lidar com a situação”, afirma um oficial militar de alta patente que serviu na região. “Para complicar a situação, as atuais relações entre os Estados Unidos e o Paquistão não são boas”.

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