MIGREPI

22 Agosto, 2008

Israel retoma a construção de uma colônia controvertida – 12/07

Le Monde, 06/12/07
Israel retoma a construção de uma colônia controvertida

Michel Bôle-Richard
Correspondente em Jerusalém

Uma semana depois da cúpula de Annapolis (Maryland, EUA), a administração israelense oficializou uma concorrência pública para a construção de 307 novos alojamentos na colônia de Har Homa. A criação desta colônia, próxima a Belém, no final dos anos 1990, já havia provocado controvérsias.

No momento em que deverão ser iniciadas, em 12 de dezembro, negociações que se destinam a tentar criar um Estado palestino, a extensão da colônia de Har Homa é considerada como “uma provocação” pelos palestinos. “Se Israel não cancelar esta decisão, isso irá sabotar os resultados de Annapolis antes mesmo do início da sua aplicação”, declarou Saeb Erakat, o principal conselheiro de Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestina.

Para o governo israelense de Ehoud Olmert, esta colônia faz parte da “Grande Jerusalém” e deveria, dentro da perspectiva da criação da Palestina, ser englobada naquilo que os israelenses chamam de a sua “capital unificada e indivisível”. Em contrapartida, para os palestinos, ela está situada no território que foi conquistado durante a Guerra dos Seis Dias (1967) e deve ser incorporada a Jerusalém Leste, da qual a Autoridade Palestina pretende fazer a sua capital.

Apêndice de Jerusalém


Ehoud Olmert comprometeu-se a proibir a construção de novos assentamentos e a desmantelar as colônias “selvagens”, mas ele se recusou a impedir a ampliação das colônias existentes, principalmente nos três grandes blocos que supostamente devem ser integrados ao território israelense. A questão é saber se Har Homa será considerada um apêndice de Jerusalém, como afirma Mark Regev, o porta-voz do governo, para quem “Israel estabelece uma distinção clara entre a Cisjordânia e Jerusalém, uma cidade que está submetida à soberania israelense”.

Dentro da perspectiva das negociações que deverão decidir o futuro de Jerusalém Leste e o traçado das fronteiras da Palestina, Israel pretende conservar as suas conquistas na região. Cerca de 180.000 colonos estão instalados em Jerusalém Leste, e outros 267.500 na Cisjordânia, dos quais cerca de dois terços vivem a oeste da “barreira de segurança” que, quando estiver concluída, terá 760 km de comprimento. Israel deseja conservar o território que ele conquistou por meio da construção da barreira. Este território inclui cerca de 10% da Cisjordânia e também toda a margem ocidental do rio Jordão.

Foi por esta razão que Ehoud Barak, o ministro da defesa, propôs, no domingo, 2 de dezembro, dar o seu apoio a uma lei que permitirá oferecer uma compensação aos colonos que vivem a leste da “barreira de segurança” e desejam abandonar voluntariamente o seu domicílio. Entre 70.000 e 80.000 colonos encontram-se nesta situação. Eles deverão ser evacuados em caso de criação do Estado palestino. Este projeto provocou uma onda de protestos no âmbito da direita e entre os partidários do “Grande Israel”.

Estes últimos também andaram protestando contra as declarações de Ehoud Olmert, que se referiu à destruição de 21 colônias “selvagens”, de um total de 105 que foram listadas pela organização A Paz Agora. Num relatório publicado na terça-feira (4/12), este movimento pacifista que se opõe à colonização da Cisjordânia revela que, das 3.449 ordens de demolição de assentamentos ilegais, apenas 107 foram executadas nos últimos dez anos. Quanto às inúmeras promessas de desmantelar as colônias “selvagens”, elas nunca foram acompanhadas por ações concretas.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

Sem comentários ainda »

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS dos comentários deste post URI do TrackBack

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.